COMO AMAR — o aprendizado
Desde que o novo ano começou, me pego pensando em várias coisas, que me levam a várias reflexões, que aprofundam questões que eu sempre perguntei minha vida toda, que ampliam a minha consciência do momento e que me transbordaram a ponto de escrever este post.
Lá estava eu ouvindo a música "Você" do Tim Maia, superconhecida, mas que eu, que não entendo muito de MPB, não sei nem dizer se estava no meu repertório de músicas ouvidas. Acho que sim, mas não tenho certeza. Eis que caio num vídeo em que o refrão dessa música está tocando. A voz forte, grave e cheia de emoção do Tim invade o meu peito e eu começo a sentir coisas que não sei explicar. A letra é linda, embora tenha trechos que não concorde com ela, isso não minimiza a força e o impacto que ouvir essa canção causou em mim.
Fui caçar a música no Spotify e pronto: repeat one. Queria saborear repetidamente tudo que aquela música me causava. Queria decorar a letra. Cantar junto. E, principalmente, queria entender o que me pegou tanto!
Esperar as emoções se tranquilizarem e a primeira observação que me fiz foi: "que música linda para dedicar ao seu amor!" Mas, ops. Que amor? E essa pergunta não veio porque eu estou solteira agora. Ela veio porque agora minha compreensão do que é o amor transmutou-se completamente.
Quem leu meu último post viu qual foi meu maior aprendizado no ano passado. Não estamos falando de algo pequeno. Estive diante do maior aprendizado de minha vida. Arriscaria dizer que seria o principal aprendizado que fiz quando planejei minha encarnação. Meu mapa astrológico mostra isso. É um eixo que corta meu mapa ao meio, em casas cardinais — 4 e 10 —, como se isso fosse essencial para que a minha vida ajeitasse o rumo.
E qual seria esse aprendizado? O aprendizado de saber amar as pessoas pelo que elas são e não pelo seus potenciais, minhas idealizações, minhas expectativas e minhas carências.
- Potencial: não é realidade, é projeto. Um projeto que não depende de você para evoluir apenas da própria pessoa. Então, potencial não é nada se não tiver concretude. É algo que consta no plano das ideias.
- Idealizações: há uma diferença entre o que desejamos que é verdadeiro à nossa alma e o que desejamos como modelo imputado por valores comuns e clichês. Eu chamaria de fanfiqueiros, porque eles criam os personagens que eles querem do jeito que eles desejam e nesse mundo, nunca há desafios, porque sempre dá certo no fim (genericamente falando, claro).
- Expectativas: é o momento em que o aviso do potencial foi posto de lado, o aviso das idealizações escanteado. Nesse ponto, acreditamos que o amor e o tempo são o que bastam para que um relacionamento prospere. É fechar, de vez, a lucidez, o racional, a coerência e basear a sua vida em uma construção que existe apenas na sua cabeça.
- Carências: o adubo emocional que alimenta a fé e a esperança das expectativas, gerando uma vida inteira naquela sensação de quase que se perpetua. Gerando muita dor, claro.
Hoje eu vejo o amor como algo puro e reitero algo que já disse várias vezes em vários posts aqui: o ser humano em planeta Terra não sabe o que é amor. Temos uma ínfima ideia do que seja isso. E tudo bem, estamos aqui para aprender.
E eu aprendi. Aprendi que amor em planeta Terra é algo raríssimo de ser alcançado em sua plenitude. Aprendi a enxergar as pessoas como seres errôneos que não aprendem com seus erros. Aprendi a aceitar que eu mesma sou assim e que não posso querer do outro algo que ainda não fiz comigo mesma. Aprendi que há uma diferença gigantesca entre o buscar e o procurar. E reforcei ainda mais que precisamos respeitar o livre arbítrio. Seu e do outro.
Mas... confesso, fiquei com receio (era meu medo maior!) de me tornar uma cética do amor, fechada. Amargurada nunca porque isso nunca combinou comigo, eu transformo as emoções, não emboto elas. Ainda estou num momento de integração da individuação em alguns aspectos. Sempre penso se vou escorregar, se eu errar, como vou me sentir?
Mas eis que ao ouvir essa música do Tim Maia, minhas respostas todas vieram!!!
Eu mergulhei em tudo que essa música me fez sentir. Em tudo que a letra dizia...
Você
É mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava, baby
Você
É algo assim
É tudo pra mim
É como eu sonhava, baby
Eu senti coisas que não sentia desde a adolescência (lá nos meus 19 anos), quando eu achava que amar e estar em um relacionamento era algo totalmente diferente do que eu vivi até hoje. Eu senti um calor dentro do meu peito, uma alegria sem explicação. Eu lembrei da Cris que, ingenuamente, tinha tantas ideias do que seria amar alguém e viver com essa pessoa. Parecia que eu estava com a mulher da minha vida e que estava plena, preenchida, perfeita e feliz.
E eu me deixei levar por esse sentimento... algum tempo depois me questionei: "como estou conseguindo sentir tudo isso depois de TUDO QUE VIVI A MINHA VIDA TODA, EM ESPECIAL O QUE VIVI EM 2024???"
Na sequência, perguntei a uma IA o que ela achava disso. A resposta foi reveladora.
Mas o maior revelador foi o que me veio hoje.
Eu tive um encontro comigo mesma — um reencontro na verdade.
Esses sentimentos nunca se apagaram dentro de mim.
Eles ficaram escondidos em um lugar que eu só conseguiria acessar depois que me curasse (algo que me dediquei intensamente a fazer no ano passado). Eles sempre estiveram lá. E algo tão bonito e tão puro só pode ser reacessado por você se você passar pelo fogo da transformação plena, de despir-se, de aceitar-se, de acolher-se, de respeitar-se, de amar a si mesma em primeiro lugar, de respeitar o livre arbítrio, de ter sempre coragem de fazer o que tiver de ser necessário fazer, atravessar todas as estradas que tiver de caminhar para chegar aonde você sabe que tem de chegar.
Ainda estava aqui, pensando nisso, quando em Planeta em Oração de hoje, Halu Gamashi me trouxe a chave que faltava, como se ela tivesse sido testemunha silenciosa de minha vivência e viesse aqui, complementar o meu aprendizado.
O ENCONTRO DA MENTE COM O CORAÇÃO
— quando isso acontece, você tem força para muitas coisas
Eu fiquei em êxtase. Porque... era isso. Algo que eu repeti inúmeras vezes em meus posts aqui, como um recado inconsciente de mim para mim mesma. Talvez eu já tivesse vivenciado algo assim, mas com essa força? Ah, não. Não mesmo.
Eu estava com receios, medos, pensando em recaídas... quando ouvi a música foi a primeira "prova" dessa força, embora eu já a sentisse em mim, em todas as minhas atitudes, fluindo naturalmente como parte de mim.
Então... este post é um relato pessoal que compartilho com vocês, meu leitores. Vejam tudo que eu precisei viver para chegar a este 2026 — juntando "peças aleatórias" (sempre com muita sensibilidade para compreender seus recados) e outras peças jogadas na cara para que eu cada vez mais confiasse na força de tudo que construí com muita dedicação, humildade, entrega e foco.
Novos aprendizados estão em minha vida neste ano.
E, ah, sim!!! A música do Tim Maia eu dedico à mulher que eu mais amo e que sempre amarei muito — EU MESMA. Sempre lembrarei dessa música como símbolo do dia em que me dei conta do quanto eu amo a mim mesma como nunca amei antes.
E eu desejo que todos sempre se lembrem do poder incrível que jaz dentro de cada um de vocês. PODER DA MUDANÇA E DA TRANSFORMAÇÃO COM OUSADIA E CORAGEM.
ps: imagem gerada no ChatGPT a partir de prompts meus.



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