O luto da ilusão
Oficialmente, o primeiro post deste ano de 2026!
Que já começou intenso, com demandas, desafios, necessidades, obrigações. O mundo humano sendo desnudado, mostrando toda a sua luz e a sua sombra, na mesma foto. Humanidade e desumanidade ao extremo: não é uma época fácil de viver. Ao mesmo tempo, e por isso mesmo, a melhor época para viver. Uma oportunidade única que não ocorre com frequência. Agora podemos acessar tudo, não há trancas nem impedimentos externos.
A pergunta é: o que você busca?
A minha resposta é: eu busco cumprir com meus propósitos de aprendizados aos quais me destinei quando decidi encarnar em planeta Terra lá em 1977. Para chegar aqui, aos 48 anos em 2026, neste atual estágio em que me encontro, um ínterim entre o que fui e o que eu ainda virei a ser. Parece um limbo, mas não. É um caminho — um início de caminho — que eu não sei ainda exatamente aonde me levará. Porém, o principal eu sei: não vai me levar de volta aonde eu estive.
Para permanecer aonde estive, eu não teria que ter feito nenhum movimento. Eu teria que continuar estática, fixa, pesando prós e contras, receosa do futuro, com medo de escolher e decidir. E essa opção já foi vivida por tempo demais — exatos 48 anos! Já é mais do que hora de viver algo diferente. Mesmo porque... eu não aguento, eu não suporto mais ficar aonde estive por tanto tempo de minha vida.
Não é novidade para ninguém que o grande tema da minha vida sempre foram os relacionamentos humanos. Este blogue é testemunha de tudo (ou quase tudo) que vivi desde 2009 para cá. Quantas experiências, quantas escolhas, quantas decisões... quantos aprendizados que eu achei que me levariam a outras situações mas que, por fim, me jogavam de volta ao mesmo ponto. Como um bumerangue emocional que insistia que para essa repetição não mais ocorrer, algo muito extremo precisaria acontecer.
Desde o início do ano passado eu comecei a revisitar toda a minha existência, desde quando comecei a fazer minhas primeiras amizades, desde quando vivi meus primeiros amores platônicos. E também, depois, quando as amizades se tornaram reais bem como os amores. Precisei passar pelos meus traumas infantis com outro olhar e outra percepção para entender por que me tornei quem eu me tornei. Precisei jogar fora todas as ferramentas que me traziam um senso de segurança, ferramentas que garantiram a minha sobrevivência em tempos idos.O que guardei foi bem pouco. Guardamos a nossa essência.
Você sabe qual é a sua essência? Você sabe o que torna você quem você é?
Para resgatar o que há de mais puro em você é preciso buscar as suas primeiras lembranças. Quando a dor ainda não havia se instalado nem o caos se tornado referência. Ou, em outros casos, quando o silêncio da falta de certeza e a confusão de ter de nomear sentimentos muito prematuramente e sem recursos internos também foi referência.
Ninguém, nenhum de nós, faz isso. E não é por maldade ou por indolência, mas simplesmente porque todos estamos enredados em uma imensa teia de seres humanos com esse mesmo perfil complexo. Até que alguém decida quebrar essa poderosa corrente energética.
Neste atual momento de minha vida, eu vivo um luto — o luto da ilusão. Que, diretamente, está correlacionado ao aspecto central que corta meu mapa natal: Vênus em Gêmeos na casa 4 em oposição a Netuno em Sagitário na casa 10. Esse aspecto que, a partir das experiências que tive na minha infância, moldaram a forma como eu veria e como me colocaria nos relacionamentos pessoais que viria a ter: amizades, amores e profissionais (o eixo 4-10).
Foram incontáveis experiências similares aonde apenas os rostos mudavam. Variações do mesmo tema que mantiveram apenas algumas constantes: humilhações sofridas, dores extremas sentidas, a crença de que eu era a errada da história. Claro que nem tudo foi assim, mas eu esperava que se tornasse, porque era nesse lugar que tudo desembocava, parecia ser inevitável, como uma praga que me perseguia, um fantasma me assombrando. Se eu não fosse alguém com uma predominante energia sagitariana em meu mapa, se não tivesse Plutão em Libra na casa 8 e Urano em escorpião na casa 9....
... AONDE EU TERIA ME LEVADO?
Às vezes, eu me faço essa pergunta. Bem, podemos dizer que perto de alguns lugares eu passei, outros eu realmente incorporei (cujas consequências levarei comigo para até o meu último dia aqui). No entanto, eu sempre busquei aquele ponto além do horizonte do por do sol. Aquele lugar que Netuno em Sagitário na casa 10 me levaria. Mas eu teria de passar pelo inferno de Hades com um Plutão na 8. Precisaria me desapegar de tudo, ter inúmeras mortes metafóricas em vida. E, meu maior presente, Urano na casa 9 me daria discernimento, lucidez e chatice para não ser uma que vai com todos. Que acredita em religião, em salvadores ou imagens para seguir. A minha dose de ilusão estava em outra área de minha vida.
No ano passado, em especial no segundo semestre, comecei a estudar meus sonhos com o viés dos ensinamentos junguianos. E foi a melhor coisa que fiz. Quando você compreende a simbologia de um sonho, ele muda. Quer uma melhor maneira de saber o que se passa no seu inconsciente? Analise seus próprios sonhos. Mas... prepare-se: não é tarefa fácil. Não dá para escolher o que analisar, dispensar o que incomoda (ou fingir que não sonhou). É preciso ver tudo.
Claro que, simultaneamente a isso, fiz outros trabalhos energéticos. Sou aluna da Halu Gamashi e sigo à risca tudo o que ela ensina (não sou iniciada e isso não impede ninguém de fazer tudo o que ela ensina e está à disposição tanto no IMA como no YouTube dela). Faço Planeta em Oração diariamente, sem nunca falhar, desde maio de 2023. Também fiz leituras dos Selos Oraculares para mim mesma além de continuar usando o tarô de Rider-Waite.
A energia da cura pede que caminhemos por muitas estradas. Eu ainda estou em algum ponto dessa estrada que decidi trilhar, enfim, com afinco e dedicação, quando vivenciei o ghosting em dezembro de 2024. Ao trilhar esses caminhos, escolhas precisam ser feitas, decisões precisam ser tomadas. Não é fácil viver isso. Precisamos aprender. Precisamos acessar e desenvolver vários níveis de consciência. Precisamos compreender quem somos, quem não somos, quem queremos nos tornar e o que nunca desejamos em nossas vidas.
Atualmente, tenho refletido sobre o nível de consciência ESPONTANEIDADE. Eu, que sempre me achei uma pessoa espontânea, precisei rever meus conceitos. Se eu tivesse sido realmente espontânea, eu teria me manifestado em todas as vezes que meu ser sofreu agressões, violações de limites pessoais, bullyings, injustiças. Falar é se posicionar. É informar. Não é agredir o outro. É informar. E tomar uma decisão, seja ela qual for. Eu confesso que ainda não sei fazer isso. Ainda é um músculo fraco que preciso trabalhar.
Porém, quando você tem a configuração astrológica que eu tenho, além de todas as vivências que tive na infância (corroboradas com uma Lua em Leão na casa 6 em conjunção com Saturno [bem aspectado, ao menos...]), a fala, que é tão essencial para mim (Marte na casa 3, em Gêmeos) que seria meu instrumento de agressão, simplesmente se calou. Impressionante. A minha expressão pessoal se calou tem muitos, muitos anos. Eu era conhecida como "tímida". Tirei isso de mim, porque nunca combinou comigo, mas selecionei aonde minha fala seria silenciada.
No fundo, eu não soube, mas ao não me expressar eu verdadeiramente acreditei na construção de minhas ilusões. Que o meu silêncio seria capaz de manter relações criadas a partir de potenciais, não reciprocidade, distanciamento, diferenças que não podem ser aceitas (existem as que podem, não é este o caso). Que o meu não expressar anestesiaria o meu medo de ficar sozinha... sendo que: eu estive verdadeiramente acompanhada?
Eu piamente acreditei que sabia escolher as pessoas que entrariam e continuariam na minha vida. Ainda hoje eu penso se das pouquíssimas que restaram, eu não deveria encerrar mais algum contato? Deveria? É um pensamento constante.
SELEÇÃO é outro nível de consciência que eu já comentei por aqui. Eu nunca soube selecionar, embora tivesse certeza que sim. Agora, a minha pergunta é: o que eu serei depois de aceitar que uma vez caído e destruído o véu das ilusões que eu vivia (usando ferramentas antigas de sobrevivência, adquiridas na infância)?
Eu não sei o que eu serei.
Eu não deixei de acredtar nas pessoas, esse nunca foi o meu perfil e não será agora.
Porém, eu estou em um momento de ponderação, constantemente me lembrando das pessoas do passado, o que me permiti viver enquanto estava com elas, o que eu fiz, o que me fizeram. Esses dias têm sido intensos com essas reflexões. Ao simplesmente pensar em repetir alguma atitude antiga, sinto náuseas e meu corpo grita "não!".
As pessoas perdem cada vez mais a capacidade de gentileza e educação.
E, para alguém como eu, essas duas palavras são essenciais para todas as próximas pessoas que entrarem em minha vida.
GENTILEZA.
EDUCAÇÃO.
Deveria ser algo básico, né? Não. Não é.
E eu termino este post compartilhando que, neste atual momento do meu luto da ilusão, essas duas palavras tornaram-se minha nova LEI interna.
Lei para definir o que é crucial para mim.
JUSTIÇA para discernir o que me cabe e o que não me cabe.
E AUTONOMIA e DIGNIDADE para eu continuar trilhando este caminho.
Observação 1: imagem criada pelo ChatGPT a partir de prompts meus.
Observação 2: imagens dos Selos Oraculares criado por Halu Gamashi e ilustrado por Beatriz Nogueira.






Comentários