Glenn Close, Albert Nobbs e o Oscar

Deveria ter escrito este post antes, mas meio que acabei esperando sair o resultado do Oscar. Confesso que nunca me importei muito com essa premiação, mas de tempos em tempos, eu sempre tenho uma atriz para torcer (em geral, são atrizes). Desta vez, era a Glenn Close que estava ali.
O filme é Albert Nobbs. Um filme cuja existência fiquei sabendo na segunda-feira de carnaval, depois de assistir a Dama de Ferro. Eu vi o cartaz e enlouqueci com a transformação física que a Glenn Close fez para interpretar Albert Nobbs.

A princípio, você teme que seja mais um "filme de mulher travestida de homem". Mas não é. Engana-se você se pensa que vai encontrar isso. Claro, deve ser dito que o filme não quer transformar pensamentos nem propor uma ideia revolucionária sobre o cenário do qual retrata no filme: a Inglaterra do século 19.

O filme faz um retrato simples da sociedade aristocrática. E quem nos chama a atenção é justamente o garçom Albert -- uma mulher disfarçada de homem há tanto tempo -- que nem se lembra mais do próprio nome. Inácio Araújo escreveu uma resenha perfeita para a Folha de S.Paulo na sexta. E fala da queda das máscaras. E escreve daquilo que também chamou a minha atenção: a interpretação de Glenn Close.

Glenn não ganhou o Oscar. É um prêmio bem-vindo mas para alguém que faz uma interpretação minimalista (a melhor palavra que achei) sem afetação, sem exagero, quase sem falar, baseado apenas no olhar não precisa de mais nada.

Confesso: é um filme cuja atuação de Glenn Close mexeu muito comigo, não sei porquê. Apenas uma pisciana tem um olhar como aquele para incorporar a um personagem que ela mesma já tinha interpretado 15 anos atrás e cujo projeto ela batalhou para levar ao cinema nesse tempo todo. Não sei o que tem naquele olhar mas é olhar que apenas uma atriz experiente, sensível e pisciana teria. Eu lembro desse olhar e me vem lágrimas...

Não é um filme imperdível, é uma atuação de Glenn Close imperdível. Para quem espera clichês ou algum resquício da femme fatale da década de 80, esquece. Esquece, esquece. Vale ver, mas para tentar captar e ingenuamente tentar entender o que o olhar de Albert Nobbs tem a nos dizer, sobre sonhos escondidos e quase esquecidos. Sobre o propósito de uma vida inteiro.


Meditação em 1 minuto

Num mundo tão corrido como o nosso (que clichê...) se você teve curiosidade alguma vez na sua vida para meditar, que tal tentar agora? Esta técnica (a dica do link é da queridona Lilian Aquino!) é supersimples e necessária para não nos bestializarmos nem sermos apenas seres que reagem. Precisamos ser pessoas que SENTEM.

Belo dia

Eis que amanhece outro dia. Mais um outro dia, outro dia qualquer... neste ano de 2012, cheio de transformações, desejos e ensejos.

Tenho andado bastante silenciosa. Um silêncio deliciosamente compartilhado comigo mesma. Uma ausência de pensamentos, de desejos, de ansiedades para compartilhar um quase-vácuo com a minha alma.

As palavras são tão mal usadas. Nossa comunicação é deturpada para tantos fins escusos. Não sei exatamente por qual motivo decidi me silenciar. Mas esse silêncio tem sido um bálsamo para mim. As pessoas falam, falam, falam e nem sabem mais por quê falam. Convivemos com tanta poluição sonora que esquecemos de ouvir quem nunca deveríamos sequer sonhar em deixar de ouvir: a nós mesmos.

Fica aqui um desejo de silêncio aos que o procuram, não estão procurando -- mas sabem que procuram, e aos que procuram e ainda não encontraram!



Para refletir

Não dá mais para sermos o que éramos, nossos defeitos, nosso ódio. Se não mudarmos agora, qual será o nosso futuro? Talvez não haja futuro.

Sobre a empatia

E, de repente, me peguei pensando na palavra: empatia.

Pensei nas rimas que caberia em um poema. Pensei nas acepções da palavra. Pensei em um monte de coisa. E você? Pensa no quê quando lê esta palavra?

Lá fui eu, basicamente, caçar o significado no dicionário. Confesso que não me senti satisfeita. Porque, mesmo sob o prisma da psicologia (uma das acepções que o dicionário informava), a empatia ainda exige que o assunto passe pelo filtro dos olhos da pessoa. Aí, não é empatia, é julgamento. Julgamento empático, mas ainda julgamento.

Se você concordar comigo, empatia pode -- e deve -- significar "colocar-se no lugar do outro, simplesmente". Okay. Se esta frase definir o que significa empatia, vou falar agora o que me fez pensar tanto nessa palavra.

É muito fácil colocar-se no lugar no outro a partir de sua personalidade. Indiretamente, estaremos fazendo um julgamento do que é estar na pele de outra pessoa. Podemos nos compadecer, podemos sentir pena. Podemos odiar ou adorar. Tudo no tempo do "futuro do pretérito".

Sentir empatia é -- mesmo -- colocar-se no outro. "Walk in my own shoes" clássica expressão americana. É o tempo presente, apenas. É literalmente teletransportar-se para o contexto em que a pessoa, com suas experiências de vida, com suas fraquezas e virtudes, e -- muito inocentemente -- tentar entender o que se passa com ela.

Podemos deduzir, então, que sentir empatia é impossível, porque cada ser humano é único! Nunca conseguiremos a mesma amplitude de experiências, por mais que vivamos as mesmas coisas que a pessoa viveu, porque simplesmente somos seres diferentes! Únicos. Ninguém, em sua essência, é igual a ninguém.

Mas... mas... ainda assim, o esforço do exercício é necessário. E aí, eu me volto para as pessoas que parecem ser do "bem" demais, sem mostrar o lado negro da força (como diria uma [grande] ex-amiga minha). Não é estranho? Você não sente um cheiro de "artificial" demais, como um plástico vagabundo vendido na loja de R$1,99? Eu sinto.

Eu admiro e aceito essa atitude empática, mesmo não soando verdadeira. Okay: onde estará a verdade?

Bem, para mim, tudo é sempre uma questão de equilíbrio. Equilíbrio e autoconhecimento. Não se forçar, não se autoiludir. Muitas pessoas que conheço vivem na ilusão do sorriso e do "sempre estou bem" quando, na verdade, não estão. Isso é errado? Como sempre costumo dizer, não há certo, não há errado: há escolha. E todas as escolhas têm seu preço e sua conta sempre chega um dia.

Enfim: escrevi isso para refletir em voz alta com os meus queridos leitores deste blogue... tenho vivido umas coisas interessantes em relação ao assunto empatia. E decidi: não se compadeça de mim... embora muitos desejem isso, no fundo do coração, o que eu mais desejei foi a verdade. Ela já me cegou e me aniquilou em várias vezes. E, ainda assim, eu prefiro a verdade a encarar nuvens rosa de carinho travestido de ilusão.