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A morte (carta XIII) e Plutão: a decisão não mais adiada

Há pouco tempo me dei (finalmente) um baralho do Tarô. E escolhi o Waite-Smith pelo estilo clássico e por ser indicado para estudantes que estão aprendendo a ler os símbolos das lâminas. Quase vinte anos estudando o assunto, demorou para isso acontecer. E não é sempre assim?

Ao contrário do que a maioria das pessoas faz, não faço muitas autotiragens. Mas, ontem, me senti impelida a fazer uma pergunta simples, três cartas (passado, presente e futuro) apenas com os arcarnos maiores. E a resposta, tão direta quanto simples, foi um tiro no coração. 

Antes de continuar, vou compartilhar: quem me acompanha neste blogue sabe há quantos anos eu falo de Plutão na minha casa 11 astrológica. Falo de tantas e tantas pessoas que saíram voluntariamente, foram extirpadas pelo tempo ou sumiram sem dar tchau. Falo do quanto isso profundamente mexeu comigo e me fez rever muitas coisas — em especial sobre mim mesma. Porque temos certeza absoluta de que quando a debandada insiste em continuar, o problema é seu, você está fazendo algo errado, seu comportamento está nocivo, você está sendo egoísta e rude.

Quem me conhece sabe que sou extremamente transparente, nunca neguei meus defeitos. Quem me conhece também sabe o quanto sempre lutei para melhorar, me tornar uma pessoa melhor, lapidar as pontas que machucam que a minha criação deixou em mim. E todo o processo de lapidação não é feito de forma rápida, nem quando desejamos: é necessário tempo, é necessária a convivência em sociedade para, ao termos o outro como espelho, consigamos ver em nós mesmos o que pode ficar e o que deve ser mudado.

Isso posto, o ciclo de Plutão em Capricórnio (e, naturalmente, na minha casa 11) está prestes a terminar. Estamos à beira da entrada de Plutão em Aquário — que iniciará não somente uma nova era mundial, mas também marcará o fim dessa limpeza que foi feita em minha vida. 

Mesmo no fim, a ação dessa energia ainda é contundente! Justamente por estar nos graus finais (os graus iniciais e finais de um trânsito são os mais potentes, que geram maior impacto), eu continuo vendo pessoas indo embora. Ou pessoas se ausentando de uma forma muito incompreensível. E eu não tinha compreendido a oportunidade única que me estava sendo ofertada...

E eu ainda estava insistindo em estabelecer amizades... e era uma insistência ilusória. Pautada em: consideração (eu honro o que as pessoas fazem por mim), carência (porque sou canceriana com ascendente em peixes e lua em leão) e teimosia (pois é... mesmo um ser mutável como eu pode ser teimoso às vezes). 

Então, ao fazer a tiragem para mim, três cartas saíram: Sol (passado), A Morte (presente), A Temperança (futuro). Não coincidentemente, A Morte e A Temperança são cartas sequenciais dentre os arcanos maiores. Ou seja, para alcançarmos a fase da Temperança, precisamos necessariamente passar pela fase da Morte. O futuro depende do que eu farei com A Morte em mãos. Com a Temperança no futuro, tudo realmente está em minhas mãos.

Quando acionei essa informação, era questão de tempo para eu me dar conta do que tinha de fazer — embora já soubesse há tempos. 

No entanto, o medo nos paralisa, pelos mais diversos motivos. Aí, fui me dar conta da coisa mais simples e tola possível: Plutão (correspondente direto da carta A Morte, coincidência? Nunca!) está há décadas agindo em minha casa 11, em minha vida. Eu sempre me colocando em posição meio que de vítima. Não entendendo seu mecanismo (por mais que eu seja astróloga, olha o medo paralisando aí), buscando razões e motivos para achar uma lógica. Insistindo em ir contra essa poderosa energia, literalmente.

Eu sei que o astrólogo Carlos Harmitt (que não conhece a minha existência) foi crucial para acelerar as ligações mentais que eu precisava fazer para chegar a essa conclusão. Ele com sua linguagem contundente falando sobre Plutão em Aquário, além de reacender a chama da Astróloga em mim que estava meio apagada, também iluminou o que eu estava fazendo com o fim do trânsito de Plutão no meu mapa: apenas rezando para tudo acabar logo, acreditando que apenas com seu fim, as coisas mudariam (doce ignorância, né, Cris?).

Com a energia plutoniana a última coisa que devemos fazer é sermos passivos. Precisamos agir em conjunto. Precisamos nos conectar à sua poderosa força e entender que a limpeza pode doer mas é para a próxima etapa. E mesmo que você não saiba do que se trata, confie nele, porque você estará purificado para recomeçar: quer algo mais incrível do que voltar a pensar em como começar em um terreno transmutado do que não prestava mais em sua vida?

Porém, quando você não está fortalecido, tomar uma decisão desse porte não é nada fácil...

Quem me conhece, sabe dos desafios que estou vivendo desde 2015 que culminaram com o ano passado, um ano tão ruim quanto foi 2019. 2023 começou em baixa mas, ontem, dia 17/04/2023 às 22h20, tomei uma decisão que foi muito adiada. Eu a adiei o máximo que pude. E, assim como todas as piores dores de minha vida, eu escolhi vivê-la. E, agora, conscientemente, escolho não viver mais.

Mas o que aconteceu entre a tiragem de tarô, as palavras de Harmitt, os anos todos vividos? O que aconteceu é que me dei conta de algo estupidamente ridículo: a minha maior reclamação é que estou sozinha (literalmente, sem ninguém: amigos, parentes, família, amor, colegas) e há tempos tentando reatar antigos contatos ou fortalecer os mais recentes. Não há problema em buscar soluções para um problema — o problema está nas escolhas que você faz. E eu estava escolhendo MUITO ERRADO. Porém, devido a todos os fatores que citei, eu estava à beira de: ou enlouquecer ou mudar radicalmente. Muito atrasada, fiz a segunda escolha. Finalmente!

Eu me dei conta de que por tanto medo de ficar sozinha, eu tinha esquecido de reparar que eu já estava sozinha! Absolutamente. Absurdamente. E eu estava correndo atrás de migalhas de alguns tipos de pessoas por quem tinha consideração — me humilhando, rastejando, pedindo, aguardando o "algo a mais" que nunca veio e nunca virá. Por quê? Da parte dessas pessoas, não sei, nunca saberei. Da minha parte, eu esperava reciprocidade. Gentileza. Educação. E quando o ser humano chega ao ponto de não saber mais ser gentil, educado e recíproco, estamos perdendo a nossa humanidade, nos tornando bestas. 

E afirmo sem sombra de dúvida alguma: estamos vivendo a nossa existência compartilhando o planeta Terra com uma horda de bestas. Não são todos, mas são a maioria esmagadora certamente. O que são essas "bestas"? Pessoas perdidas no mais profundo inconsciente, egoístas, agressivas, radicais, extremistas, individualistas. O mais triste é que, além disso tudo, vivem presas na ilusão inconsciente de que todos estão errados menos elas.

O meu cenário era esse: ficar achando que tinha estabelecido conexões com amizades unilaterais por medo de ficar sozinha. Oras, se eu vivo uma relação unilateral já não estou sozinha?

Então, para finalizar este extenso post, é isso leitor: quando Plutão fizer o chamado, aceite. Não relute. Viva. Como o mais brega clichê possível: nade pelos rios de Hades e renasça. A Morte e Plutão estão te dando essa única e última oportunidade!