Lançamento - Pequenos afazeres domésticos

Amigos paulistanos, quero convidar vocês a se encontrarem comigo para o lançamento do livro de poemas (sim! isso mesmo que você leu!) da minha amiga poeta, escorpiana, cabelos vermelhos: Lilian Aquino.

Ela já disse tudo no blogue dela, sala dos passos perdidos: é muita coragem publicar poesia no Brasil, infelizmente. Mais coragem ainda, publicar um autor desconhecido. Mas... grandes realizações vem para aqueles que não têm medo de sonhar, de se arriscar, de se atirar no escuro!

Lembro quando li os primeiros poemas da Lilian... lirismo puro. Uma doçura única vinda dessa escorpiana com ascendente em peixes. Imagens simples, olhar único, metáforas que trazem os cheiros até você. Ela não é despretensiosa, ela faz isso de propósito... e como faz bem!!!

Querida, estou tão, mas tão, mas tãããão feliz por você, que você não tem ideia!!! Muito orgulho de ter você espalhando sua doçura por aí. No dia 10/11 estarei lá para te abraçar, para ver você brilhar, para tirar uma foto com você, pegar seu autógrafo.

Ansiosa por esse dia! E parabéns, mais uma vez, para você!

Aquela que me conhece mais do que a mim mesma

Finalmente, depois de quase sete anos de amizade, temos uma foto juntas! hahaha Aposto que uma história assim, ninguém tem...

Pois é, somos duas exigentes com fotos e adia daqui e dali... eu disse a ela, ontem, que de hoje não podia passar, porque não tínhamos uma foto sequer juntas! Como assim? Argumento impossível de ser batido.

O finde ao lado dela foi algo que precisava muito. Para ajudar a curar minhas feridas, para ajudar a lembrar quem eu sou, para filosofar sobre a vida -- e TODOS os seus aspectos. Obrigada, filha, por ser a amiga que é na minha vida.

Uma noite, um sábado qualquer

Este fim de semana tem sido mais do que especial. Estou compartilhando as horas com a minha querida filha Poliana. Como sempre digo aqui, aquela que me conhece mais do que a mim mesma.

Essa proximidade tem me feito muito bem. Passamos um bom tempo bem distantes uma da outra. Então, de repente, é bom lembrar de tudo que somos quando estamos juntas. A cumplicidade de pensamentos. A capacidade de filosofar sobre os mais diferentes assuntos. A capacidade dela de entender minha intensidade e minha água. E eu olho para ela e ela simplesmente É a minha melhor amiga.

Os filmes que assistimos hoje da Mostra Internacional foram escolhidos por ela. Perfeitamente escolhidos, diga-se de passagem. Mas devo dizer que Cavet e Las Acacias merecerão posts exclusivos, porque... mexeram tanto comigo, mas tanto!!! Adoro esses filmes, estava com saudades de ver filmes assim.

O dia foi quente. Almoçamos num restaurante indiano lacto-vegetariano chamado Gopala Madhava. Meus deuses... que comida divina!!! Fazia muito tempo que não comia uma refeição tão completa, tão perfeita, tão cheia de boas energias...

Comprei dois cds numa loja também divinamente perfeita, que fica dentro de uma galeria da Rua Augusta, chamada Compact Blue. Tem todas as raridades inimaginadas. Achei vários cds da Melissa Etheridge, mas comprei o Skin, álbum de 2001, que contém a famigerada "Walking on water". Corta pulsos, mas adorei. Também achei o álbum ao vivo da Isabella Taviani. Em breve espero poder ter o autógrafo da própria nele... rs.

À noite, começou a chover, como é típico de São Paulo ter as quatro estações do ano num mesmo dia. E enquanto esperávamos o ônibus para voltar, e enquanto falávamos do vazio do meu coração (como se isso pudesse ser conversado feito conversa e filosofia de bar), parou um carro antiquíssimo, desses de colecionador, bem na frente do ponto de ônibus, em plena Avenida Paulista. Eu não tinha me dado conta de que dentro do carro haviam um noivo e uma noiva. Quando reparei, sorri. E eles, lá de dentro, acenaram para mim e para a Poliana. Sorri mais ainda e acenei alegremente para eles... que cena maluca e inusitada!!! Naquele único instante, eu fui apenas felicidade. Eu senti a felicidade deles... eu compartilhei a felicidade com eles. Um rapaz no ponto também compartilhou isso com a gente. O carro se foi e eu apenas pensei... "isso é alegria". Mesmo que eles se separem daqui a uma semana, essa cena nunca se apagará da minha mente.

E enquanto a noite se esvaía em chuva, frio e conversas profundas... ficou a frase: "Não tenha vergonha de errar. Se você erra, é sinal de que você está tentando." >> perfeito para mim, que achava que andava errando tanto, ao arriscar tanto, ao ser tanto... eu. Pode ser erro. Mas também -- e principalmente -- foi tentativa. Boa lição para hoje!

Uma noite, uma sexta qualquer...

Na noite desta sexta-feira, caminhei pela Avenida Paulista ao lado da minha "filha", Poliana. Meu olhar estava (como ainda está) distante, perdido, procurando o algo além no horizonte. Não sou a melhor das companhias agora. Tenho mais perguntas do que respostas, um bocado de sentimentos conturbados dentro do meu cérebro. E tenho um coração vazio, seco e frio.

Ainda preciso dos espaços abertos. Ainda preciso olhar mais para cima do que para baixo. Ainda preciso da companhia dos amigos que me acalentem e não me julguem. Ainda preciso descobrir, de novo, quem eu sou. Ainda preciso saber discernir o que é verdade e o que é mentira sobre tudo aquilo que disseram de mim.

Não sei o que tudo isso quer dizer. Mas comecei a entender que essa minha necessidade absoluta de compreensão só me leva a mais incompreensão. O tempo é um senhor poderoso que tem pregado peças absurdas comigo. Minha mãe sempre dizia que nós fazemos nosso tempo... acho que ela se enganou porque tem vezes que não temos controle nenhum sobre nada aquilo que acontece nas nossas vidas!

E frases de músicas surgem impávidas na minha cabeça. Elas vêm do nada e ficam retumbando. E frases poéticas surgem, poesias rasgando meu coração e querendo ser cuspidas para fora de mim. E nomes de capítulos de livros, frases inteiras, brotam de mim sem parar. Ganhei um bloco de anotações que tem sido meu companheiro inseparável. Anoto todos os pensamentos, todas as palavras, todas as ideias. Não sei o que virá disso... mas sei que virá algo!

E enquanto assisto a cidade adormecer, deixo meus pensamentos voarem longe... para bem longe daqui. Para as lembranças que não encontraram seu lugar certo no meu coração vazio. Para a felicidade que parecia um simples conceito mas que foi duramente tolhida pela realidade. Para a compreensão de tantas coisas que aconteceram e querem tanto me endurecer. Se o agora dói demais em mim, deixa doer... deixa doer até não conseguir doer mais do que essa dor insuportável que agora sinto. Amanhã será outro dia. Amanhã será outro tempo.

With a little help from my friends

Este post é exclusivamente para agradecer aos amigos especiais e únicos que têm sabido -- cada um a seu jeito -- estar ao meu lado neste momento da minha vida.

> Poliana: o que seria de mim sem você? Como eu conseguiria existir sem essa pessoa que me conhece mais do que a mim mesma? Você já passou de ser imprescindível em minha vida. E você é a única nesse sentido!

> Maria Helena: seu cuidado comigo nos momentos mais inesperados fez crescer a nossa amizade e estreitar nosso laço de confiança. Obrigada por ter me ouvido como ninguém o fazia há muito tempo!

> Fabi Lopes: loira querida, do seu jeito, você também tem sido surpreendente em minha vida!

> Cláudia Bertrani: sua frieza e sua rudeza, apesar de frias e rudes, têm me mostrado a importância desses anos de amizade virtual. Perca a timidez e me conheça agora! Rá!

> Jussimionato: impressionante como você se apresentou a mim, me oferecendo as palavras precisas, sendo que eu nem tinha pedido nada. Impressionante como temos esse laço invisível, ao longo de todos esses anos, que nunca sequer pensou em se romper! Muito pelo contrário. Obrigada por ter estar aqui!

> Jana: terminamos um ciclo, começamos outro. Obrigada por todos os abraços... aqueles que mais precisei. Pessoalmente e virtualmente. Quero sempre tê-la ao meu lado.

> Cris Barufi: Xará... esses anos todos de amizade provaram que você sempre esteve perto nos momentos mais delicados. Obrigada por sua amizade, ao seu estilo, mas sempre leal.

> Volkert: e depois de tudo... a nossa amizade. Obrigada por tudo, viu?


O que basta?

Muito silêncio, queridos leitores deste blogue, muito silêncio.

O silêncio tem me feito companhia. E os espaços abertos. Preciso de duas coisas agora: de silêncio e de imensos espaços abertos. Minha tendência à claustrofobia parece ter se acentuado diante de certas coisas que andaram acontecendo na minha vida. Reflexo e resposta? Não sei, pode ser. Talvez algum psicólogo de plantão queira meter o bedelho.

Tenho andado nas ruas tentando não entrar no ritmo desvairado da vida paulistana. Pessoas correndo, pessoas mal-educadas, pessoas ranzinzas, pessoas insatisfeitas. Hoje eu vi uma moça sorrindo tão lindo na rua... sorrindo sozinha. Pensei: "o que terá lhe acontecido?". Queria que aquele sorriso fosse meu e que a sua felicidade -- mesmo momentânea -- fosse minha. Foi um sorriso lindo, espontâneo que eu sorri junto com ela naquela hora, por vê-la tão leve e feliz daquele jeito.

Mas os sorrisos são raros entre as pessoas que correm de um lado para o outro. As pessoas -- eu me incluo -- andam cabisbaixas, querendo ter mais pressa que o outro. E aí, eu me perguntei, como invariavelmente faço quando minha lucidez me toma: "O que lhe basta?"

Para uns, basta um emprego com uma rotina. Basta um salário que pague as contas. Basta uma estabilidade que, de preferência, não mude. Sair com os amigos, esquecer do emprego ruim, fazer dívidas, comprar coisas. Trabalhar mais um pouco.

Para uns, basta ser ignorante. A ignorância é uma bênção... (uma frase que eu disse uma vez e já causou MUITA polêmica! rs) Para essas pessoas, não interessa saber o que acontece no mundo, se qualquer coisa que você faça vai afetar alguém, desde jogar o lixo no chão a desrespeitar a faixa preferencial. Para que imaginar se existe um mundo invisível se o visível já tá ruim o suficiente?

Para uns, basta viver e deixar viver... excesso de responsabilidades apenas torna a vida mais chata e incômoda do que ela já é.

Para uns a vida é apenas a vida... se tiver de ser, será, se não tiver de ser, não será...

Para uns a vida é apenas o amor e a dedicação a outrem. Ao amor, a família. Para uns, a vida é dedicação ao mundo.

Para outros, a vida não precisa de amor. Podem-se passar os anos... e mais anos... e mais anos. Se não tiver à altura, melhor não ter nada.

O que lhe basta? Para mim, eu sempre achei que bastava ser idealista, acreditar em mim mesma, ser aquilo que eu nasci para ser, estar ao lado de pessoas que me aceitassem como eu sou. Isso sempre foi felicidade para mim. Mas a felicidade é um conceito complexo que depende muito mais do tempo do que de qualquer outra coisa. E o tempo é uma entidade impalpável, incontrolável. Não temos botão de avançar, voltar ou pausar. O tempo acontece com a vida a cada instante. Você pode deixar para depois, mas o que estará perdendo no agora? Você pode esperar e curtir a ceva e a colheita, mas isso também não será passividade ou controle imaginário? Você pode pausar a vida e querê-la pausada por toda a sua vida?

O que lhe basta? Ter controle ou fingir que aceita o controle? Viver ou deixar viver? Ser feliz ou ir atrás da felicidade? Minha resposta, para agora, seria: me basta um pouco de paz. Paz para entender as perguntas sem respostas. As respostas sem perguntas. As coisas que acontecem sem explicação, com explicação. O carma, o darma. O mistério, a solução. Paz para tudo isso.

'Cause I've got to break free...

Tears of the dragon



For too long now, there were secrets in my mind
For too long now, there were things I should've said
In the darkness, I was stumbling for the door
To find a reason, to find the time, the place, the hour
Waiting for the winter sun and the cold light of day
The misty ghost of childhood fears
The pressure is building and I can't stay away.
I throw myself into the sea
Release the wave,
Let it wash over me
To face the fear I once believed
The tears of the dragon for you and for me.
Where I was, I had wings that couldn't fly
Where I was, I had tears I couldn't cry
My emotions, frozen in an icy lake
I couldn't feel them until the ice began to break
I have no power over this, you know I'm afraid
The walls I built are crumbling, the water is moving,
I'm slipping away.

The hanged man

The hanged man rules my moment.

Minha trilha sonora

Where were you when I was burned and broken
While the days slipped by from my window watching
Where were you when I was hurt and I was helpless
Because the things you say and the things you do surround me
While you were hanging yourself on someone else's words
Dying to believe in what you heard
I was staring straight into the shining sun.

Lost in thought and lost in time
While the seeds of life and the seeds of change were planted
Outside the rain fell dark and slow
While I pondered on this dangerous but irresistible pastime
I took a heavenly ride through our silence
I knew the moment had arrived
For killing the past and coming back to life
I took a heavenly ride through our silence
I knew the waiting had begun
And headed straight...into the shining sun.

(Coming back to life, Pink Floyd): thanks to David Gilmour for writing this perfect song since the first time I heard it.


Parque e Museu da Independência

O dia amanheceu lindo na capital paulistana hoje. Um cenário perfeito havia se criado, especialmente para mim, para eu aproveitar meu "último dia" de férias.

Fazia muitos anos que eu não passeava sozinha. O que para alguns pode ser um tormento, sempre tem seu lado bom. É bom saber apreciar a própria companhia. E, neste exato instante da minha vida, me pareceu mais do que necessário este passeio: eu e mim mesma.

Nunca tinha ido para os lados do Ipiranga. Mas, agora, tenho motivos de sobra: minha "filha" mora ali perto. Após a tão calorosa receptividade mineira (todo o carinho que mais preciso agora), pela manhã tomamos um café juntas, como nos velhos tempos... aquela sensação reconfortante de você não precisar pensar para falar, aquele sentimento de que mesmo com o passar dos anos, a química e o entrosamento são os mesmos...

Depois de me despedir dela, comecei a caminhar. Sob um céu lindo... azul pintado para mim, vento gélido no rosto, calorzinho matinal morno: meu cenário e temperatura perfeitos. Eu andei muito... e teria andado mais se não fosse a mochila pesada. Mas mesmo a mochila pesada parecia o acompanhamento perfeito naquele instante. Parecíamos imbatíveis, eu e uma simples mochila, naquele exato segundo da minha vida.

A vida é feita desses segundos: onde tudo se encaixa, onde tudo faz sentido, onde nada precisa ser mudado. Eu estava livre, leve e solta. Livre dos meus próprios pesos, dos meus anseios, dos meus medos. Era uma poesia sendo escrita a cada passo. Mesmo carrancudos, os paulistanos pareciam sorrir para mim.

Visitar um ponto turístico num dia em que está praticamente vazio é um prazer inenarrável. O dia conspirava totalmente a meu favor. Andei, fiz várias fotos. Observei o céu. Pensei muito. Refleti muito. Tanto o Museu como a Praça da Independência são simples mas bonitos. E a beleza está nos detalhes. Alguns deles capturados pela minha câmera.

E estar num lugar cujo nome é Independência parece uma daquelas ironias sutis da vida. Mas nem posso reclamar, como poderia? Eu tenho ganhado tantos presentes que chego a me sentir uma garota mimada. É exagero? É sobra? Há falta? Não, nada disso. Tudo certo na medida como mereço e como saberei aproveitar.

Quem estiver em São Paulo e quiser aproveitar é um bom passeio. Nada excepcional mas agradável. Ainda mais se estiver vazio. Bom para pensar e refletir. Vi várias pessoas sozinhas -- como eu -- fazendo exatamente isso. Um homem de gravata sentado nas escadas de pedra, sob o sol, olhando o nada. O que ele estaria pensando? Quem saberia dizer? Em frente à pira, uma mulher, também parada olhando para o horizonte. E eu, ali, roubando esse silêncio alheio, compartilhando o meu silêncio no silêncio. Poesia urbana desenhada ali, diante dos meus olhos...

Mais fotinhas do passeio aqui no meu facebook.

Isabella Taviani no Planetário do Rio


Dia 14 de outubro de 2011 foi a data do meu último show de IT como moradora do Rio de Janeiro. Pois é... um dia começa, outro dia termina. Posso dizer que fechei com chave de ouro a curta temporada que fui moradora da cidade maravilhosa.

Não é possível descrever como foi assistir a um show da minha cantora (eternamente número 1) sob as estrelas da cúpula Carl Sagan. Precisa estar lá. Precisa fechar os olhos, reclinar-se sobre a cadeira, abri-los e ver as estrelas enquanto a voz de IT ecoa nas caixas de som. Precisa ver cenas da sua vida passando diante de seus olhos, estrelas de um lado a outro, versos de Isabella que entram nas suas veias, às vezes doce, às vezes tão rasgante...


Aquele foi um momento pessoalmente especial para mim. Sorvi cada verso de cada música como um recado final que precisava me ser dado. "Deixar a chuva lavar para escorrer daquela pele... todo o lodo e febre". "Porque não tenho tempo de errar... todos os erros do mundo". 

E foi bonito ver o público carioca ali presente cantando todas as canções. Foi bonito ver a cúpula lotada. Como a própria IT disse, estava uma energia muito boa... como sempre eu vi em todos os shows que vi.

No camarim, prometi a IT apenas o óbvio: "não importa onde eu more, continuarei sempre com você aonde você for."

Obrigada a TODOS os meus amigos cariocas que estiveram presentes nesse dia tão importante para mim. Nosso vínculo se criou por causa da IT e se estendeu para muito além disso. Acho que ainda não disse isso (ainda) à Isabella (embora ela deva saber): todas as pessoas que conheci por sua causa. Minha vida nunca seria a mesma se eu não tivesse conhecido e conversado com cada fã que eu conheci.

Por isso aos que puderam estar presentes: Deja, Camille, Maria Helena, Karla, Robertinha, Jeane, Alessandra. A todos os outros que conheço mais ou menos e não estiveram lá... o meu obrigada pelo carinho. Nos encontraremos, de novo, em breve, no próximo show da IT! E obrigada, também, ao abraço de urso de Myllena...

E uma conclusão

Não vou mais repetir (ok, somente agora...) que a minha vida anda uma verdadeira montanha-russa há mais de um ano. Talvez, mais precisamente, há uns dois anos. Nesse meio tempo, eu poderia juntar tudo que aconteceu e escrever um livro, sem titubear. E acho até que já tenha escrito alguns capítulos aqui, neste blogue.

E no meio dessa coisa toda que aconteceu e ainda acontece e -- sinto -- ainda vai acontecer, minha mente que pensa demais e que sempre pensará assim tentou achar alguma razão. Não há razão. Quando racionalizamos, perdemos a graça de todo o mistério da vida.

Mas eu sei que fui do céu ao inferno em um único dia. Várias vezes ao mês, várias vezes nesses últimos meses: e até no intervalo de uma única hora. E eu apenas me perguntava: por quê?

Por que tanta coisa assim? Um ser humano mortal e comum não quer uma vida comum, com tudo planejado, com surpresas óbvias e expectativas já esperadas? No fundo queremos e NÃO queremos. Queremos uma vida simples (e por vezes medíocre) porque não temos com o que nos preocupar e não corremos o risco de sofrer.

Eu gosto de uma vida assim, admito. Tudo numa toadinha igual, numa mesma velocidade... sem maiores surpresas. A vida não tem menos brilho por isso. Mas confesso que quando a vida se movimenta, você aprende mais e parece que tudo faz mais sentido, mesmo na correria e na confusão aparente.

Sempre disse uma frase a mim mesma e vou compartilhá-la aqui com vocês: nada na vida acontece por acaso. Se algo acontece com você agora, é porque você está preparado para viver isso. Aproveite a oportunidade, porque ela poderá ser única!

Então, estou aqui, de novo, braços abertos para a vida. Não carrego mágoas, não sinto tristeza (não quer dizer que eu não as viverei, claro...). Se tudo acontece por um motivo, não quero saber qual é. O que eu quero saber é que se a vida está me dando tudo isso, é porque mereço receber e me vangloriar e viver.

Estou me sentindo viva... sentindo uma energia renovada me reabastecer a cada pensamento que tenho. Não sei qual é o destino. Não sei qual é a estrada a tomar. E vou me despedindo de algumas pessoas que conheci e que se foram... e vou abraçando as novas que estão entrando.

Eu apenas agradeço a tudo que tem acontecido na minha vida. E agradeço a aqueles que conseguiram acompanhar as minhas mudanças, mesmo quando vivia a pior tempestade no alto-mar, sem velas e sem direção. Todos contribuíram de alguma forma.

Quero começar a fase nova da minha vida com a alegria e a inocência de uma criança. Não vou deixar de ser idealista. Não vou deixar que nada mude a minha essência. Isso vale para você. Isso vale para mim. Para cada um de nós.

Quote 2

As letras e as músicas do Bon Jovi sempre falam tão bem de mim... me peguei ouvindo Happy Now (que já postei aqui, antes) e percebi que esse é o meu hino agora! Uma música perfeita em todos os seus versos. Tudo que sou e quero agora.
What would you say to me

If I told you I had a dream
If I told you everything
Would you tell me to go back to sleep?
Take a look in these tired eyes
They're coming back to life
I know I can change, got hope in my veins
I'm telling you I ain't going back to the pain.

Can I be happy now?
Can I let my breath out
Let me believe
I'm building a dream
Don't try to drag me down
I just wanna scream out loud
Can I be happy now?
Went down on my knees
I learned how to bleed
I'm turning my world around

Can I be happy now
Can I break free somehow
I just wanna live again
Love again
Take my pride up off of the ground

I'm ready to pick a fight
Crawl out of the dark to shine a light
I ain't throwing stones, got sins of my own
Ain't everybody just trying to find their way home

You're born and you die, and it's gone in a minute
I ain't looking back, 'cause I don't wanna miss it
You better live now
Cause no one's gonna get out alive

Quote

Outra frase surgiu impávida na minha cabeça e ecoa sem parar:
"everything happens for a reason".

(adoro essa minha capacidade de pensar com mais clareza em inglês...rs. Vai entender)

Lembrança de um sonho (que não lembro se tive)

"now it's a dream's memoir"

Uma frase que veio solta, assim, na minha mente. Como fragmentos de um poema que não escrevi e não escreverei. E sua poesia insiste em ser agridoce.

Se eu dissesse tudo que tenho vontade de dizer, eu não teria ouvidos para me escutar. Se a minha verdade regesse a minha própria verdade, eu não teria mais verdades a buscar.

Se os meus desejos se tornassem realidade, não quer dizer que eu ainda me sentiria sedenta por algo mais. Se o meu fogo se extinguisse, a quem poderia pedir para reacendê-lo?

Se a necessidade fosse apenas o suficiente, se as palavras fossem suficiente, se a conspiração ajeitasse tudo. Talvez, ainda assim, eu me sentiria confusa.

"now it's a dream's memoir"

Eu penso nas interconexões misteriosas da vida como quem está diante de um quebra-cabeças. Ou a ler um manual de instruções. Ou um jogo de RPG. Tudo tem o mesmo peso e sentido, mesmo que absurdo.

Meu absurdo é sempre acreditar no invisível e me lançar a ele sem medo, sem amarras. Quantas vezes eu fui ao céu e quantas vezes eu caí no abismo. Os polos do mesmo. Os meus extremos internos.

Eu não sou apenas palavras, mas também sou elas. Não sou apenas sentimentos, mas me transporto neles. Sou desejo, um vulcão, uma brisa, o vácuo e o silêncio.

"now it's a dream's memoir"

Não sei se os sonhos tornam-se realidade, se um sonho não é um objetivo egoísta. Mas estou eu diante de minha própria vida pensando nos sonhos, outra vez. A folha em branco assusta um pouco mas é nela que me deitarei, atirarei, verterei até escapar outra vez, um passo fora de mim mesma, minha própria realidade, viva outra vez.

O ontem, o hoje e o amanhã

O tempo é um cavalo selvagem, indomável e inatingível na minha vida. O momento, um filho gêmeo parido de um eco, é outro ser vivo que corre ao meu redor como uma criança rebelde pedindo atenção. As nuances dos segundos são cores vibrantes que apenas meus olhos podem tocar. Não sou nada além de uma mera espectadora de tudo esse tempo que se prostra diante de mim, impetuoso, irritadiço, pungente e paradoxal.

O sofrimento é uma cor primária que se desdobra em secundárias, terciárias... até formar cores imperceptíveis. Mas sabemos de onde ela surgiu. Não podemos desfazer a mistura que, como lágrima e chuva, é tudo mas ainda é apenas água. O sofrimento é uma água congelada que punge mais dor que uma pedra fria. Porque fora água e ainda é apenas água. O sofrimento cega os olhos da alma, da mente e do coração. Pensam que o sofrimento é um meio. Na verdade, ele é apenas um acessório dispensável. Um enfeite de mal-gosto.

A alegria é um desejo perigoso. A alegria existe em seu coração e transborda de suas mãos como água de uma cachoeira. Mas é intenso e é revolto. Mesmo sem saber sua origem, é um bálsamo que poucas pessoas aprenderam a manipular. Pois somos treinados a viver sob tristeza para compensá-la com tanto materialismo que acabamos nos esquecendo de quem sempre fomos apenas para ficarmos socialmente parecidos uns com os outros.

O desejo é um desejo. A vontade é uma vontade. A mágica sempre será mágica. As verdades apenas são verdadeiros para o seu portador. A necessidade de outro é um eterno mistério que palavra nenhuma decifra. O amor... não conhecemos o verdadeiro amor, mas estamos acostumados a um amor egoísta que não dá sem esperar nada de volta. Ele precisa ter algo de volta. O egoísmo é um sinônimo de felicidade em algumas vezes. A perfeição? Essa nunca existiu nem nunca existirá.

Acho que conheço bastante de tudo aquilo que passou por mim. Acho que estou sobrevivendo bem ao hoje. O amanhã? O amanhã  não é um quadro em branco, não é uma folha que a gente sabe que vai cair, não é a continuação do hoje. O amanhã é o meu sonho que sonhei sem ter sonhado. Um misto de verdade e mentira, realidade e ficção que estas mãos e este coração tentam desvendar. Vou sorrir enquanto o presente ainda é eterno presente.

A rapidez de um segundo

Qual o real sentido da palavra "intensidade"?

Qual a velocidade de mudança de um segundo?

Ainda no compasso dessas transformações tão inexoráveis que vêm ocorrendo na minha vida, eu tenho escolhido a minha capacidade de imaginação para me transportar de volta às minhas próprias lembranças. Talvez, elas não sejam como realmente aconteceram... E,com certeza, eu estarei perdendo os detalhes seletivos da memória... mas que importa? A alegria e a doçura serão ainda mais saborosas.

Eu sinto falta das texturas do tempo. Sinto falta da poesia que se desalojou de mim. Me imbuí de tanta racionalidade capricorniana e caminhei no extremo de uma extremidade de mim mesma... que me perdi na racionalidade que nunca foi minha, mas emprestada.

Me perdi e me achei nessa senda. Me escondi atrás da minha água congelada. Mas, essa mesma água que vive em mim, está me trazendo de volta à vida. Não sou perdedora nem vencedora... apenas uma eterna lutadora.

Qual a pergunta que nunca me fizeram? Aquilo que sou. No mesmo instante dos ventos incontroláveis, a calmaria. No mesmo instante da tempestade, um vulcão em brasa. Os paradoxos, os extremos opostos, o agridoce nos lábios. Aquilo que tudo que eu sempre serei: um pouco além daquilo imaginado. Um pouco menos do que deveria ser. Aquela que sempre fui e serei.

Braços abertos para a vida...

Será a vida acontecendo como deve acontecer?

Estou eu conectada com esse mistério chamado vida? Estarei eu ouvindo seus recados silenciosos e fazendo o que precisa ser feito?

Eu andei parando e pensando... e mesmo no meio da tempestade de poeira invadindo o deserto momentâneo da minha vida, eu sempre estive acompanhada daquela presença misteriosa. Uma certeza que nunca faltou na minha vida. Um sensação de conforto que sempre me fez continuar caminhando adiante mesmo sem ter ideia para onde ir, o que fazer, o que dizer, o que programar. Essas coisas racionais e frias (da terra) que nunca foram o meu forte.

Mas a falta aparente de "racionalidade" traz benefícios para a sensibilidade bem aguçada, bem trabalhada. Agora eu sinto uma liberdade nunca antes sentida. Agora eu estou diante da minha estrada, reta, infinita... e o meu destino? O meu destino é apenas comigo mesma. Com tudo aquilo que ainda nem sonhei mas quero que aconteça. O meu objetivo é ainda me tornar mais a pessoa que eu sempre fui e ainda não conheço. O meu foco é apenas ouvir o meu santuário interno... estar conectada comigo mesma cada vez mais.

Eu não sei do futuro. Não sei. No entanto, eu sei o que eu quero para mim. Sinto cada vez mais a união de todos os meus eus... sempre tão espalhados em cada pessoa que magoei, aquelas que decepcionei, aquelas que deveria ter tratado de uma outra forma. Aquelas que deveria ter dito outras palavras. Aquelas que simplesmente se foram e não voltarão mais.

Se há um privilégio na vida de um ser humano, devo dizer que nos últimos três anos da minha vida (talvez até mais, se pensar...) eu fui uma das mais privilegiadas. Eu vi tantas coisas acontecerem diante dos meus olhos. Eu vivi tantas e tantas situações. E diante de todas elas, uma escolha. E para todas elas, um caminho. Ao fim de todas elas, apenas um objetivo. Quando você se propõe a conhecer todas as verdades da vida, você pode se cegar, ou enloquecer, fugir ou simplesmente não aceitar. Quando você tem acesso à mais profunda consciência de si mesmo, o que você espera encontrar?

Apenas sei, agora, que estou aqui... de braços abertos para a vida. Quero viver, quero sonhar, quero aprender, quero ser... tudo novo de novo, como se fosse a primeira vez! Com o coração cheio de alegria, esperança e amor pela vida. Como deve ser... e você? Aceita caminhar comigo?

O ponto de mutação

Para homenagear a atual fase da minha vida, lembrei desse filme do Bernt Capra, baseado na obra homônima do primo Fritjof Capra. Um livro revolucionário que inspirou um filme extraordinário. Leiam o livro, assistam ao filme, se puderem.

Aqui, seleciono um pequeno vídeo em que um poema de Pablo Neruda é recitado. Perfeito. Espero sinceramente que gostem...