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O pai ausente (na Astrologia)

 Uma ideia sempre me perseguiu desde quando comecei a estudar Astrologia mais profundamente: a figura do pai ausente.

Essa ideia pode ser explicada sob tantas vertentes, com tantas bases, cada uma trazendo uma compreensão. Mas aqui vou falar, muito brevemente, do ponto de vista astrológico e baseado principalmente na minha própria experiência de pai ausente.

Há muitos anos atrás, eu e uma amiga costumávamos confabular a respeito. Por causa dessas conversas, ainda tenho esse mesmo entendimento do que falarei aqui.

Tipos netunianos (com a forte influência de Netuno) poderiam gerar pais ausentes. Veja bem, cheguei a pensar em pais piscianos como pais ausentes mas não seria verdadeiro. Então, pensei que seria melhor entender como os tipos netunianos, os mais impalpáveis, mutáveis e navegadores dos mares mais conturbados. Aquelas pessoas sensíveis que precisam sobreviver em ambientes hostis, em famílias conturbadas de criação rígida, fria e sem demonstração de quaisquer tipo de sentimentos.

Qual criança sofreria para crescer em um ambiente assim? Como essa criança cresceria e, futuramente, se tornaria um pai? Essa criança seria um pai afetivo? Seria um pai violento?

Nossa inteligência emocional é herdada de acordo com a forma como somos criados pelos nossos pais (ou aqueles que têm essa função em nossa vida). As habilidades essenciais nos são ensinadas de acordo com os desafios que vamos vivenciando desde a mais tenra idade. Depois de um tempo, aprender uma habilidade nova torna-se um desafio e aí vemos as dificuldades por termos sido muito mimados, por exemplo.

Viver é um ato contínuo de sobrevivência e coragem. Astrologicamente, é possível ver no mapa um bebê que teve um parto mais difícil, porque seu instinto de vida foi requisitado no momento de seu nascimento. E essa criança certamente ainda enfrentará muitos desafios, mas com uma assinatura astrológica de alguém que, em teoria, sabe lidar com essas adversidades.

Mas... e um pai ausente? Aquele que está presente fisicamente, não lhe deixa faltar nada material mas é totalmente incapaz de falar sobre sentimentos. Não é estranho um tipo netuniano ter esse bloqueio? Uma pessoa que navega os mares da intuição não saber falar das próprias?

Porque o pai dito ausente mesmo, aquele que fecundou um óvulo e nunca mais se ouviu falar, mas ainda paga pensão, por exemplo, é outro tipo de pai ausente. Trata-se de um tipo que, na verdade, sequer consegue assumir a ideia da paternidade, mesmo convivendo com ela em algum lugar da sua cabeça.

Ou ainda temos os pais que têm seus próprios filhos, até cuida bem deles, mas somente faz o papel de pai carinhoso e compreensivo com os filhos... dos outros. Eis o meu caso.

Eu sempre busquei muita compreensão nesse sentido e confesso que é difícil sentir empatia por não ter conhecimento da história do meu pai. Ele sempre foi um estranho para mim. Essa imagem estranha, de alguém que nunca conseguiu realizar nada, não alcançou sucesso, desperdiçou os próprios talentos, foi altamente viciado (e existem vários tipos de vícios além de drogas e álcool), fugiu da vida e nunca a encarou de frente, sempre deixou para os outros as tarefas que lhe cabiam, tinha uma forma de pensar muito peculiar que lhe custou um alto preço a vida toda. 

O que ele precisou viver para ser assim? Ser um tipo netuniano não é mera coincidência, disso eu tenho certeza.

Ler essa descrição e associá-lo ao signo de Peixes é quase uma fórmula perfeita de tão inevitável. Mas, como Astróloga, fazer tamanha dedução é um ato de ignorância maior que não honraria a profissão para a qual nasci me dedicar.

Nos livros de teoria, pais piscianos são sensíveis e amorosos. E eu acredito que deva existir milhões de exemplares ao redor do mundo. No ao redor do "meu mundo" o padrão parece se repetir, ainda mais por conhecer homens nessa faixa etária dos 60-80 anos que nasceram em um período onde a sociedade machista tinha orgulho de se exibir como o melhor padrão de vida para todos (mesmo em 2021 as coisas ainda andam assim, mas, com várias mudanças, ainda bem!).

Uma das minhas hipóteses diz que o tipo netuniano (que futuramente se tornou pai) tem a necessidade de ajustar-se à sociedade (como todos nós temos) mas que por eventuais traumas vividos (situações familiares mais ou menos dolorosas) simplesmente travou a capacidade de expor seu lado mais sensível e descompensou-o, utilizando em estranhos ou conhecidos distantes, focalizou toda a sua energia em algum tipo de vício que deturpe a realidade fora das lentes cabíveis em um homem sensível... e tornou-se amargo. Os tipos dos signos de água (netunianos incluídos) costumam partir para os extremos quando são postos em situações extremas: ou se entregam ou se tornam um blindado intransponível. É difícil imaginar isso para uma pessoa de câncer, certo? Mas é totalmente possível.

E nem é preciso analisar o mapa natal todo da pessoa!

Bom, acho que a divagação foi interessante por ora. Deixo aqui registrado esses pensamentos e certamente retornarei a eles (ou não... rs). A Astrologia tem sido muito boa para mim e assim ela o é a todos aqueles que sabem valorizar sua real importância!

PS: (UPDATE) Achei esta excelente matéria no Personare sobre pessoas netunianas, vale a leitura!

What is happiness to you, David?

 Esses dias algumas ideias têm brotado. Bem, ideias vêm brotando há tempos... mas toda vez que decido escrever, algum motivo qualquer me faz desistir.

Já cansei de falar "sopro renovador", "amor tocou meu coração", "mais uma tentativa". Todos ao meu redor se cansaram de mim, e eu também me cansei. Então, não falarei disso agora.

Algumas tardes têm terminado com um pôr do sol muito colorido, semelhante ao ficcionalmente retratado no filme "Vanilla Sky". Tinha até me esquecido de como gostava desse filme. E essas tardes nessas cores tão vivas e tão envolventes... nostálgicas. Resolvi baixar o filme e revê-lo.

Meu subconsciente definitivamente adora me dar uns toques, às vezes de forma muito sutil, em outras surge como um tapa. Rever esse filme certamente foi um tapa daqueles.

WHAT IS HAPPINESS TO YOU, DAVID?

Não vou dar spoiler do filme para quem ainda não o viu. Mas posso dizer que essa frase resume o filme: e essa pergunta está ecoando até agora em minha cabeça: pelos mais variados motivos... fiquei me perguntando o que seria essa tal felicidade para mim, desde que eu me entendo.

Acho que perdi alguma curva, alguma bifurcação, uma entrada... em algum momento, lá atrás, em minha vida.

Não sei dizer.

Todos os livros e gurus da autoajuda dizem a mesma coisa: a felicidade vem de dentro. Você é a sua própria fonte da felicidade. Uma afirmação tão simples que quase engana quem acredita nela. Mas, veja, não estou dizendo que é uma mentira. O que digo é que é um truque. Tem artimanhas. Macetes. E eles não são criados por ninguém além de você mesmo. 

O QUE É FELICIDADE PARA VOCÊ?

Uma coisa é certa: para mim, agora, esta frase me põe de volta nos trilhos que gostaria de seguir e que me propus caminhar. Porque você se ilude com qualquer ideia de que felicidade é estável, eterna e, principalmente, quando alguém a proporciona para você.

"HAPPINESS ONLY REAL WHEN SHARED"

A felicidade só é real quando compartilhada. Não quando alguém ou algo é a fonte.

Bom, este post não tem muito propósito além de compartilhar um pensamento em voz alta... Se me vierem novas reflexões, compartilho.

Fiquem na paz.

25 de agosto de 2020, 23h23

 Esta é a primeira postagem em anos.

Quantas vezes eu desejei escrever um post e parei no meio do caminho. Quantas vezes o desejo veio e se foi... idas e vindas sem motivos.

O que teria para contar poderia ser facilmente uma trilogia com cada livro tendo mil páginas. Até mais, talvez.

Mas... não. 

A compilação de mais de dez anos de vida até que já foi feita neste espaço. Para quê reviver tudo isso outra vez? Este blog sempre teve um significado muito especial para mim. Pensei em criar outro... mas, não. Não morremos e voltamos para fazermos diferente. Fazemos isso ainda vivos. Quantos de nós têm a coragem necessária para morrer e nascer tantas vezes forem necessárias?

Hoje eu apenas quero agradecer. 

Agradecer por estar aqui, entre os vivos.

Agradecer pelo Amor ter tocado meu coração outra vez. Agradecer a todo o sofrimento que vivi.

Agradecer a cada uma das pessoas que nunca desistiram de mim, ao longo desses dez anos. Agradecer aos que vieram e se foram. 

Agradecer a oportunidade de poder, mais uma vez, recomeçar.

E é isso que farei com este espaço tão meu: vou compartilhar pensamentos, reflexões. Em tempos de pandemia, o cenário mudou, nada será mais como antes, por mais que muitos assim o desejem.

Obrigada a todos.

Um sopro renovador

Anuncio, com alegria e fé, que este blogue trará posts novos até o fim do ano. É a proposta do fim de um longo vácuo -- existencial, diga-se de passagem --, para voltar a falar do cotidiano: esse, tão estranho e cada vez mais frio e egoísta.

Não vou negar que o viés será político. Impossível evitar esse assunto. 

E confesso que essa motivação veio depois de (mais uma... fazer o quê) grande decepção familiar. Durante anos (e não foram poucos), tinha em alta conta uma pessoa de minha família sanguínea. Era uma das últimas a quem atribuía admiração, muita, por sinal. 

Porém, como muitas pessoas perceberam, este ano foi esclarecedor e estarrecedor. Verdades foram reveladas. Que ninguém é perfeito, isso todo mundo sabe, mas conhecer o lado negro de cada um é assustador: preconceito, raiva, ódio, intolerância, desejo que as pessoas morram, se elas morrerem é por um bem maior (!!!), uma cegueira por um terrorismo comunista que avança no mundo como um vírus mortal.

Que a humanidade nunca esteve saudável, todo mundo também sabe. Temos em nosso dna um gene que não vive sem brigar, sem odiar, sem desejar o extermínio daquele (ou daquilo) que não concordamos. Milhares de anos, tantas civilizações e culturas e ainda nos baseamos em um Deus julgador, punitivo e assassino que norteia nossas atitudes. Acho que aquela conhecida afirmação poderia ser refeita assim "Deus foi criado à semelhança e imagem do Homem".

Nos falta o AMOR CRÍSTICO. É fácil amar e aceitar aquele que é totalmente diferente de nós? Por que fazemos isso? Por sermos "superiores"? Qual a base de critério? Socioeconômico, tenha certeza absoluta, meu caro leitor.

Enfim... este post é só pra dar um sinal de vida. Em especial, de mim para mim mesma. Este foi o ano mais difícil de toda a minha vida. Tentei desistir da vida em inúmeras formas e meio que desisti mesmo. Não sei quais serão as perspectivas futuras, mas decidi agir diferente. Posso vir a me cansar de tudo outra vez? Possibilidade que existe e não posso negar. 

Observação final: a todos os leitores que encontram um acalento em meus escritos (eu sei de todos vocês, leitores anônimos!), obrigada por trazer um objetivo maior para este blogue. É por vocês, cada um de vocês, que não desisti de escrever. Minhas palavras quando saem de mim não são mais minhas, são de quem ler, de quem se sentir abraçado. Obrigada a cada um de vocês, belos desconhecidos. 

Feeling like monday but someday I'll be saturday night

O que é o tempo, senão a contagem dos dias e o que fazemos para preencher a contínua necessidade de construir algo, significar algo, deixar um legado? O que é o tempo senão continuamente compararmos o sucesso alheio ao nosso, competirmos para sempre sermos os melhores em qualquer área que atuemos ou que queiramos deixar a nossa marca? O que é o tempo senão um preenchimento contínuo de suposta sabedoria, felicidade e contribuição para o mundo? Supostamente falando.

O vácuo entre meu último aniversário e o próximo pode ser traduzido com tanta coisa. Mas me aterei ao que venho passando nos últimos três meses, com ênfase maior para o último mês:

- morte de uma pessoa da família;
- dermatite agressiva no couro cabeludo;
- virose violenta (a primeira que tive em minha vida);
- saindo (temporariamente) de uma profunda crise de depressão;
- início da pré-menopausa.

Mas ainda não tenho um único fio de cabelo branco à vista. Depois de, no fim do ano passado, passar máquina zero na cabeça, repetir a atitude em meados de março, ainda estou olhando meus cabelos sem corte específico. Olho para mim mesma no espelho e não tenho pensamentos.

Bem, entrando em pormenores a respeito dos itens descritos acima:

1) a burocracia brasileira é generalizada. Ou você é muito rico ou prefira ser muito pobre. O meio-termo, onde jaz a burguesia das classes intermediárias, sofre com tanta coisa para pagar. Vivo ou morto, você paga. E, se você não tiver dinheiro, o governo lhe toma tudo ou lhe empresta a juros altos. Nada é de graça, nenhum documento é emitido gratuitamente e qualquer bem que você possua é sinônimo de imposto a ser pago. A menos, é claro, que você seja muito rico, porque nossos governantes sempre são mais condescendentes.

2) venho enfrentando certos tipos de doenças que nunca tive em minha vida toda. A dermatite creio que seja um resquício da depressão e do estresse. Porém, a virose foi um caso maravilhoso. Sempre ouvi falar de pessoas com viroses e confesso que em todas as vezes sempre olhei com desdém, porque me parecia desculpa para conseguir um atestado ou faltar ao trabalho.
Vivenciei todos as etapas e os sintomas da mais clássica das viroses e da mais violenta também. Tudo começou com dor no corpo, mas eu percebi que não era gripe, porque não tinha febre. Muito mal-estar, moleza e vontade de não fazer nada. No dia seguinte, dores horrorosas no terço final do estômago e na barriga. Muita cólica amenizada com analgésicos. Fiquei assim uns dois dias. Até que no terceiro dia, passei seis horas seguidas indo ao banheiro a cada quinze minutos. Nunca c*gu*i tanto em minha vida e meu c* assou completamente que nem hipoglós dava conta.
Não sei o que é pior, mal-estar físico com enjoo, vômito e dor generalizada ou c*g*neira. Os dois são ruins. Uma experiência que não dedico a ninguém. Espero nunca mais passar por isso outra vez!
Ao final do quinto dia comecei a melhorar. Mas ainda hoje, mais de uma semana depois, meu estômago ainda está meio sensível. E aproveitando o frio também, só tenho me alimentado de sopas.

3) há alguns meses venho notando irregularidade em meu ciclo menstrual. Pesquisei e vi que para muitas mulheres a pré-menopausa (que se divide em três partes até a menopausa em si) começa a partir dos 40. No meu caso, está começando perto dos 41. Meio cedo, mas neste mundo corrido e com a alimentação que temos, tudo adianta, atropela e vai indo na velocidade que tem de ir. Há tempos já faço uso de óleo de prímula e, agora, aumentarei a dosagem.

Eu sempre fiz balanços gerais ao fim do ano e em meus aniversários. Desta vez, não tenho vontade de dizer muito. Há tempos, a minha vontade de dizer as coisas vêm diminuindo com a mesma velocidade que experiências ruins com as poucas pessoas que convivo tem aumentado. Aí é continuamente apertar a mesma tecla e até eu me cansei disso.

Por um tempo, acreditei que em carma e que recebia muita coisa de volta de tanto que já fiz por aí. Talvez seja isso, mas atualmente eu apenas penso que esta é a maior de todas as lições que tenho de aprender. Ela envolve um pouco de tudo que sempre questionei e um pouco de tudo que sempre me incomodou. Um pouco de tudo que sempre acreditei e defendi. Um pouco de tudo que sempre entendi como certo e eterno.

No momento, estou cética e pessimista. Não é que não acredito mais nas pessoas, mas me parece que há um precipício entre o que as pessoas são, o que aparentam e o que elas mostram. Aqueles que mantém essas linhas limítrofes menores podem ser consideradas pessoas melhores que outras? Não. Mas, definitivamente, imagino que sejam pessoas um pouco mais fáceis de entender.

O fato é que quando você sofre depressão as pessoas se afastam. É silencioso e quase involuntário mas quem deseja estar perto de alguém assim? Por isso me surpreende sempre ler quando um artista famoso cometeu suicídio "mas ele tinha depressão? Como assim? Sempre sorridente, fazendo o que mais queria fazer, cheio de amigos, não passava por dificuldades financeiras". É mais interessante conviver com um depressivo mascarado do que com um depressivo assumido. Porque até para ter doença mental, as pessoas precisam disfarçar.

Então, é isso aí, a vida segue. Para compartilhar algo novo que descobri e não terminar este post tão triste e melancolicamente, digo: o incenso - in natura - de palo santo é uma descoberta que eu deveria ter feito antes. O aroma é adocicado, amadeirado e lembra uma mistura de cominho, noz-moscada e pimenta. Quem quiser, aceito como presente