Feeling like monday but someday I'll be saturday night

O que é o tempo, senão a contagem dos dias e o que fazemos para preencher a contínua necessidade de construir algo, significar algo, deixar um legado? O que é o tempo senão continuamente compararmos o sucesso alheio ao nosso, competirmos para sempre sermos os melhores em qualquer área que atuemos ou que queiramos deixar a nossa marca? O que é o tempo senão um preenchimento contínuo de suposta sabedoria, felicidade e contribuição para o mundo? Supostamente falando.

O vácuo entre meu último aniversário e o próximo pode ser traduzido com tanta coisa. Mas me aterei ao que venho passando nos últimos três meses, com ênfase maior para o último mês:

- morte de uma pessoa da família;
- dermatite agressiva no couro cabeludo;
- virose violenta (a primeira que tive em minha vida);
- saindo (temporariamente) de uma profunda crise de depressão;
- início da pré-menopausa.

Mas ainda não tenho um único fio de cabelo branco à vista. Depois de, no fim do ano passado, passar máquina zero na cabeça, repetir a atitude em meados de março, ainda estou olhando meus cabelos sem corte específico. Olho para mim mesma no espelho e não tenho pensamentos.

Bem, entrando em pormenores a respeito dos itens descritos acima:

1) a burocracia brasileira é generalizada. Ou você é muito rico ou prefira ser muito pobre. O meio-termo, onde jaz a burguesia das classes intermediárias, sofre com tanta coisa para pagar. Vivo ou morto, você paga. E, se você não tiver dinheiro, o governo lhe toma tudo ou lhe empresta a juros altos. Nada é de graça, nenhum documento é emitido gratuitamente e qualquer bem que você possua é sinônimo de imposto a ser pago. A menos, é claro, que você seja muito rico, porque nossos governantes sempre são mais condescendentes.

2) venho enfrentando certos tipos de doenças que nunca tive em minha vida toda. A dermatite creio que seja um resquício da depressão e do estresse. Porém, a virose foi um caso maravilhoso. Sempre ouvi falar de pessoas com viroses e confesso que em todas as vezes sempre olhei com desdém, porque me parecia desculpa para conseguir um atestado ou faltar ao trabalho.
Vivenciei todos as etapas e os sintomas da mais clássica das viroses e da mais violenta também. Tudo começou com dor no corpo, mas eu percebi que não era gripe, porque não tinha febre. Muito mal-estar, moleza e vontade de não fazer nada. No dia seguinte, dores horrorosas no terço final do estômago e na barriga. Muita cólica amenizada com analgésicos. Fiquei assim uns dois dias. Até que no terceiro dia, passei seis horas seguidas indo ao banheiro a cada quinze minutos. Nunca c*gu*i tanto em minha vida e meu c* assou completamente que nem hipoglós dava conta.
Não sei o que é pior, mal-estar físico com enjoo, vômito e dor generalizada ou c*g*neira. Os dois são ruins. Uma experiência que não dedico a ninguém. Espero nunca mais passar por isso outra vez!
Ao final do quinto dia comecei a melhorar. Mas ainda hoje, mais de uma semana depois, meu estômago ainda está meio sensível. E aproveitando o frio também, só tenho me alimentado de sopas.

3) há alguns meses venho notando irregularidade em meu ciclo menstrual. Pesquisei e vi que para muitas mulheres a pré-menopausa (que se divide em três partes até a menopausa em si) começa a partir dos 40. No meu caso, está começando perto dos 41. Meio cedo, mas neste mundo corrido e com a alimentação que temos, tudo adianta, atropela e vai indo na velocidade que tem de ir. Há tempos já faço uso de óleo de prímula e, agora, aumentarei a dosagem.

Eu sempre fiz balanços gerais ao fim do ano e em meus aniversários. Desta vez, não tenho vontade de dizer muito. Há tempos, a minha vontade de dizer as coisas vêm diminuindo com a mesma velocidade que experiências ruins com as poucas pessoas que convivo tem aumentado. Aí é continuamente apertar a mesma tecla e até eu me cansei disso.

Por um tempo, acreditei que em carma e que recebia muita coisa de volta de tanto que já fiz por aí. Talvez seja isso, mas atualmente eu apenas penso que esta é a maior de todas as lições que tenho de aprender. Ela envolve um pouco de tudo que sempre questionei e um pouco de tudo que sempre me incomodou. Um pouco de tudo que sempre acreditei e defendi. Um pouco de tudo que sempre entendi como certo e eterno.

No momento, estou cética e pessimista. Não é que não acredito mais nas pessoas, mas me parece que há um precipício entre o que as pessoas são, o que aparentam e o que elas mostram. Aqueles que mantém essas linhas limítrofes menores podem ser consideradas pessoas melhores que outras? Não. Mas, definitivamente, imagino que sejam pessoas um pouco mais fáceis de entender.

O fato é que quando você sofre depressão as pessoas se afastam. É silencioso e quase involuntário mas quem deseja estar perto de alguém assim? Por isso me surpreende sempre ler quando um artista famoso cometeu suicídio "mas ele tinha depressão? Como assim? Sempre sorridente, fazendo o que mais queria fazer, cheio de amigos, não passava por dificuldades financeiras". É mais interessante conviver com um depressivo mascarado do que com um depressivo assumido. Porque até para ter doença mental, as pessoas precisam disfarçar.

Então, é isso aí, a vida segue. Para compartilhar algo novo que descobri e não terminar este post tão triste e melancolicamente, digo: o incenso - in natura - de palo santo é uma descoberta que eu deveria ter feito antes. O aroma é adocicado, amadeirado e lembra uma mistura de cominho, noz-moscada e pimenta. Quem quiser, aceito como presente

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