O sentido maior



Escrevi este poema num momento específico da minha vida. E quero sempre lembrar que somos muito mais do que pensamos ser...

Em homenagem a todos que conseguem sintonizar este canal discreto e poderoso, o poema abaixo.

***

O SENTIDO MAIOR


Talvez você estivesse onipresente
em cada palavra de cada poema escrito
e eu apenas não tinha percebido
porque ainda não fosse o momento.

Talvez, eu previsse parte do futuro
eu cada palavra de cada verso descrito
e apenas seria óbvio que com o tempo
a claridade sobre fatos fosse prevalecer.

Talvez, se eu olhar para o meu passado
e em cada poema de cada livro nascido
eu pudesse capturar seu rastro
que, cegamente, me guiava
para agora – onde estou
certamente, aquele lugar onde eu sempre quis estar.

Mas, nesse intervalo atemporal
estou aqui, vivendo este instante presente
sem mais desejar unir
as pontas do passado com as do futuro
e isso é quase o auge
de tudo o que eu mais poderia desejar.

Pois eu olho para você e olho para meus poemas
e o insentido faz sentido
os paradoxos se fundem no silêncio
no vácuo onde todas as paixões são queimadas
e eu simplesmente sou invadida
por esta tranqüilidade de saber
que você existe.

Assm, não importa a presença na ausência
do tempo que foi ou daquele que está por vir
o presente é construído continuamente
e a roda da fortuna dá outra volta
com a alegria da surpresa
e com a importância do aprendizado
e a simples certeza da esperança.

Assim, eu apenas quero estar ao seu lado
para capturar a resposta na curva
daquela pergunta inconsciente
eu quero caminhar ao seu lado
para chutar as pedras
que poderiam nos fazer tropeçar.

Assim, eu quero apenas estar ao seu lado
para trazer sentido aos objetivos
misteriosos da vida...
fundir o tempo e a existência
e não senti-las, não nomeá-las
simplesmente não percebê-las.

Pois eu olho para você e eu vejo
o claro e o escuro coexistirem em harmonia
como tudo deveria ser...
e eu escrevo agora este poema sabendo
que no segundo existe
ele será passado
mas eu soube... sempre soube
que apenas chegaria o dia
em que o tempo não mais existiria.

E todas as palavras, todos os atos,
todas as lembranças e todas as existências
se resumiriam a uma palavra
não-existente, que assumiria forma,
que seria auto-suficiente
para dizer para mim e para você:
sim, tudo vale a pena.

(25/05/2008)


2 comentários:

Jana disse...

Nada poderia ser mais otimista que esse poema! Bjs e de certa forma "obrigada"

Crisão disse...

Amanhã colocarei o bilhete que fiz para mim mesma no dia de Abertura Cósmica! É de assustar...