Três filmes que mudaram a minha vida...



... e a minha maneira de ver o cinema.

Até 2004, nunca fui de ter muitos hobbies. Gostava de poemas (gosto, desde meus tenros 8 anos de idade), gostava de ver televisão, desenhar e ouvir música.

Mas, com a guinada que tive nesse ano, decobri que precisava dedicar mais tempo para mim mesma. Comecei a ir ao cinema sozinha, algo inconcebível na época. E descobri o prazer de pegar um cinema vazio, educado e as primeiras fileiras solitárias e acolhedoras.

Depois fui descobrindo o prazer de conhecer cineastas famosos.

Entre 2004 e 2005 vi muitos filmes. Desse período, destaco 3 em específico:
Réquiem para um sonho (Darren Aronofsky), Persona (Ingmar Bergman) e Cidade dos sonhos (David Lynch). Três monstros do cinema (cada um no seu devido pedestal, claro) que chacoalharam o mundo cinematográfico com seus filmes e o meu mundo.


Primeiro, Réquiem para um sonho.
Eu tinha ouvido falar muito desse filme. Longe do
fake mainstream que temos entre alguns supostos cinéfilos de Mostra, Megão tinha gravado esse filme em VHS da tv a cabo. Me emprestou. Assisti. Morri em lágrimas. Ellen Burstyn está irretocavelmente perfeita neste filme. A trilha sonora (que eu consegui alguns anos depois) é uma faca quente, sem corte, no coração. O título do filme é perfeito. O roteiro é perfeito. É um filme nota 11.

Na época, me lembro que muita coisa mudou dentro de mim. O filme evocou diversos fantasmas internos. Trouxe-os à tona. Expurgou alguns e deixou a ferida escancarada, ou seja, foi um filme catártico. Doce e amargamente catártico.


Segundo, Persona.
Um dia pedi a Sharleu que me indicasse um filme. Ela simplesmente disse: "assista a
Persona", depois você me fala. Na mesma hora, busquei e comprei o dvd na internet. Quando chegou, li de passada a quarta capa e vi o filme. No final, estava estática. Simplesmente perfeito. A fotografia, as luzes, as sombras, o preto e branco... a opção pelo silêncio, escolha tão doce-cruel de Bergman. Nem sabia o que dizer. Outro filme nota 11.



Por fim,
Cidade dos sonhos.
Ah... este filme. Eu sempre ouvi falar dele. Sempre me diziam "Veja
Cidade dos sonhos, você vai gostar!", alguns diziam que não entendiam, mas eu nunca liguei muito para isso. Interpretações são sempre subjetivas.
Eram os idos de 2005. Eu vi que uma mostra do Expressionismo alemão trazia algumas coisas e esse fillme do David Lynch, fora do circuito desde 2001. Era a oportunidade! Anotei o horário e chamei a minha filha para me acompanhar. Ela, boa curiosa, aceitou meu convite mesmo sem saber do que se tratava, acreditou na indicação e lá fomos nós ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centrão velho de SP.
Entramos. Vimos. Duas horas depois, mal conseguíamos andar na rua. No metrô, por muito pouco erramos ao descer de estação (isso porque a linha verde na época tinha pouquíssimas estações). Ficamos uma meia hora em silêncio uma ao lado da outra, sem saber por onde começar.
No dia seguinte e nos meses seguintes, foi uma febre. Mulholland dr. entrou em cada célula do meu corpo. O dvd estava esgotado para venda. Comprei a trilha sonora fantástica de Angelo Badalamenti, parceiro de David Lynch. Baixei roteiros, imprimi entrevistas, tudo o que pudesse me fazer entender o filme. E entendi. E mesmo que não tivesse entendido. Na minha opinião, meu filme n.1 para sempre, por conter todos os elementos principais para mim: amor, duas protagonistas, mistério, suspense, uma tramíssima muito bem escrita e dirigida.
Ainda hoje, tenho todo esse material. No meu aniversário, ganhei o dvd da minha filha. Desde então, eu sei que ela se tornou uma verdadeira cinéfila e colecionadora. Eu busquei obras-primas como esse filme, mas nunca consegui. Cidade dos sonhos ainda é o filme que me dá arrepios. E me fez ver o David Lynch quase como um deus na terra para mim.


***

Hoje em dia, ando bem menos cinéfila. Nem fui à Mostra de 2008. Não senti falta. Agora ando na fase comédia e comédia românticas, pontos fraquíssimos em mim. Estou adorando. O último filme que me fez chorar foi Wall-E. Mas isso é tema para outro post.

***

http://www.youtube.com/watch?v=e2Ma4BvMUwU

http://www.youtube.com/watch?v=96R9MG0DxLc

http://www.youtube.com/watch?v=q_41M2R7Z38


5 comentários:

Jana disse...

O poder do cinema não tem dimensão! Ele reune em si: dança; teatro;música;literatura;pintura; escultura e ele mesmo, soman-se sete artes em uma só, não tem para ninguém! O poder de comunicação que possui pode ser usado para qualquer finalidade, como os EUA sempre fizeram, mas não importa! Tb existem trabalhos maravilhosos com intuito de dispertar e encantar...
8D

Crisão disse...

Guin!

Carol F. disse...

Desde a mais tenra idade gosto de filmes de zumbis. Adoooro. Hoje em dia parece trash, mas essa coisa de morrer e voltar vem impressionando as pessoas desde antes do rascunho da Bíblia.
Comédia romântica não consigo gostar muito, mesmo com toda a romanticidade inerente à minha pessoa.

aline naomi disse...

Vi esses três filmes e também acho fantásticos! "Mulholland Drive" entra na minha lista de "10 mais", mas os meus preferidos pra vida toda são: "Asas do desejo", "Dolls", "Encontros e desencontros" - amor e dor, beleza e ausência, vazio. Ainda vou conhecer Berlim e Tóquio por causa desses filmes!

E enquanto você "Wall-e", eu cinema russo! =)

Crisão disse...

Adoro filmes de terror, que nem citei aqui, mas tb fazem parte de mim. Eu preciso demaaaaais ver Asas do Desejo!!! Filmes rendem assunto, ainda vou escrever mais...... heheh