O quanto sou egoísta?

Não, a pergunta não se refere a mim. Mas a cada um dos visitantes que, por ventura, caírem aqui.

Hoje vim pensando nisso.

Um exemplo simples. Eu pego trem todos os dias para chegar até o trabalho. Que opção rápida e penosa e impossível de trocar! Quem depende deste meio de transporte, sabe o que quero dizer.

Me ocorreu que tanto homens como mulheres -- compreendendo o grau de cansaço de cada um, a quantidade de horas dormidas, rotina do dia a dia etc. -- adoram se apoiar. Se me ocorrer de querer transportar essa metáfora para outros limites, vou lembrar daquele jargão usado com frequência: "Que o mundo acabe em barranco para eu morrer encostado".

Mas, o que eu realmente quero dizer com "adoram se encostar". Quero dizer que as pessoas não podem ver um canto que estão encostadas. Isso, dentro de um meio de transporte megalotado como o trem, é algo impraticável. Porém, as pessoas, em seus egoístas pontos de vista, adoram privatizar balaústres como se fossem o sofá de sua casa.

Ok. Quem chegou primeiro "tem esse direito". Desculpa ridícula, mas até engolível. O que não é engolível de forma nenhuma é quando o trem lota e as pessoas, na ausência de um balaústre, encostam-se umas nas outras. Mais especificamente: em mim.

Assim, o que eu vejo: homens -- que se esfregam em mulheres -- assim, têm onde se encostar E ainda aproveitam a oportunidade de covardemente sarrar numa mulher. Mulheres -- que se esfregam em postes, num contido desejo de ser dançarina de boate, -- que se encostam em outras mulheres, porque é "permitido", já que encostar em homens seria parecer "dada" demais.

Pífio.

As pessoas deveriam respeitar o espaço alheio mínimo. Numa condução hiperlotada, é compreensível que todo mundo se grude. Mas, quando há espaço, não vejo outra interpretação além de que as pessoas são egoístas, folgadas e taradas.

Nesses momentos (como foi hoje, por exemplo), eu respiro fundo e me imagino em um campo verde, com pássaros e céu azul. Utopia para o dia a dia. Recôndito necessário para a mínima sobrevivência.

5 comentários:

Jana disse...

As pessoas estão no limite de suas carências!... Percebe-se esse fato não só em trens ou em ônibus cheios, mas em filas, calçadas, espaços abertos e fechados, qualquer ambiente mesmo! Quando não dá para serem notadas pelo contato elas tossem sem necessidade, espirram ou assoviam, tudo no desesperado ato de serem notadas ou não se sentirem sozinhas... :-/

Crisão disse...

argh. pessoas carentes na rua é pior ainda! :-P

aline naomi disse...

Hahaha! Sei que é trágico, mas é engraçado o jeito que você conta. Eu sinto o mesmo. E, mesmo cansada depois do trabalho, prefiro ir caminhando porque pelo menos o número de pessoas nas calçadas é bem menor do que dentro de um ônibus, além de evitar pensamentos como o seu: "como as pessoas são folgadas" e também uns neuróticos do tipo: "por que não abrem as janelas? se essas pessoas soubessem o quanto de bactérias e vírus circulantes tem aqui dentro, certamente abririam bem TODAS as janelas".

Crisão disse...

AAAAAAAH

a água de pulmão que se acumula nas janelas. isso vale outro post.

quem me conhece sabe O QUANTO SOU NEURÓTICA com limpeza e cheiros bons. Lembra do post do bafo?

bjs!!!

A Nuvem de Nejar disse...

Ai, Crisão, agora não aguentei e ri muito!!! Lembrando das idas e vindas nos metrô em horário de Rush!!! ô situação!!! Esse "encosto" todo me faz pensar em uma das coisas que mais me dão raiva: a preguiça mental! Afinal, pra quê pensar, refletir, se tornar alguém melhor, dar o exemplo? Pra que, né? Valeu de novo!

Abs!