Parada Gay

E eu me lembro do dia em que, por infelicíssima coincidência, estava indo à Liberdade fazer minhas comprinhas... quando desci na estação da Luz e me deparei com uma horde infinita de evangélicos de várias facções, usando faixinhas, camisetas, banners e faixas... era a MARCHA PARA JESUS! Eu, que a-do-ro muvuca, surtei. Não consegui ser uma pessoa humana, educada e civilizada. Descendo as escadas para o acesso ao metrô, em uma verdadeira procissão na estação de trem, eu surtei e disse em alto e bom tom: "Puta merda! Por que esta porra não anda mais rápido?!"
Obviamente, todo mundo se voltou e olhou para a japa herege. Se soubessem mais de mim, diriam que eu deveria ser queimada em carne viva ali mesmo, tudo em nome de Jesus. Mas, fui abrindo caminho e saí correndo dali.
Em geral, eles fazem essa marcha logo após a Parada Gay para expurgar a sujeira que os gays deixam na cidade. Pfff.

Parada à vista

por Vange Leonel

Nesta semana, São Paulo se prepara para receber centenas de milhares de visitantes do Brasil e do mundo para a Parada LGBT, evento que é o segundo em movimentação financeira gerada por turismo na cidade, atrás apenas da Fórmula 1.

Há alguns anos, a parada é realizada durante o feriado de Corpus Christi para poder se multiplicar pela cidade. Além do megadesfile de domingo, rola a caminhada lésbica no sábado, a feira cultural no vale do Anhangabaú, festas em casas noturnas, debates, música e muito mais.

Tudo isso faz com que as ruas da capital mudem de cara durante quatro dias. Pelo menos nos arredores da Paulista e no centro da cidade, mais casais homossexuais podem ser vistos passeando pelas ruas, pelos restaurantes, pelos cinemas ou fazendo compras. Não à toa, o comércio e a indústria de turismo locais adoram a semana da parada.

Há, porém, quem se incomode com o sucesso comercial do evento, acreditando que sua "capitalização" passa uma falsa ideia de que somos respeitados. Tipo: "Só gostam da gente porque gay tem grana pra gastar". Pode ser. Numa era extremamente consumista, é possível acreditar que você vale o quanto compra.

Mas, por outro lado, podemos pensar de modo mais pragmático. O sucesso comercial da parada tem um ótimo efeito colateral: garante a homossexuais um espaço de expressão nas ruas e na mídia. Afinal, numa era intensamente midiática, você vale o quanto se expressa.

3 comentários:

Carol F. disse...

Sendo comercial ou não é bom que tenha. Os crentes também têm o direito de fazer a deles, embora eu tenha um pouco de medo de quando você olha sem querer para algum deles e a criatura te perseque para "conversar um pouquinho sobre Jesus". Fora a parte do ir para o inferno se você não quiser conversar.
Enfim, o único problema que vejo na parada gay é o tanto de gente junta, me dá uma certa fobia. Mas talvez suba a pé até a Consolação e fique bordeando.

O barato de Sampa disse...

Vou me jogar linda!!! rs

Ah, e no sábado tem das mulheres mas, tb nao tenho animo pra tantas...

Crisão disse...

Ai que preguiça. Odeio muvuca e ainda mais com todo o tipo de gente -- PRINCIPALMENTE -- os mal educados. Boa sorte proceis.