Almost a year later...

Será que eu sucumbi? Será que quase um ano depois de tantas mudanças radicais na minha vida, eu estou sentindo aquele velho vazio de novo? E se eu alimentar o vazio, e ele voltar para me engolir, feito um vício-precípio: negro, imenso e infinito?

Estou com muitas perguntas e sem nenhuma resposta. Exceto a angústia de saber que tem algo errado, algo errado com o mundo, algo errado com a minha rotina, algo errado com deveres e obrigações. Algo totalmente errado em vivermos esta vida que vivemos e que nos obrigam a vivê-la. Quem nos obriga? A conta para pagar ou a nossa alma?

Estou olhando ao redor e meu olhar está apático. Nunca desesperançoso nem covarde. Mas estou apática. Eu sinto isso no meu caminhar. Eu sinto isso na minha ausência de vontade de conversar com as mesmas pessoas os mesmos assuntos, reclamar das mesmas coisas e não fazer nada para mudar. Não fazer porque não quero, mas muitas vezes, porque não posso.

Isabella Taviani disse isso em seu twitter:
Odeio imagem de mulher submissa. Meu exemplo de mulher na vida é forte, guerreira sem perder a doçura.

E eu me peguei pensando na guerreira de mim que, agora, está cansada. Minha frase voltou a ser "Estou cansada" e eu não gosto quando começo demais a repetir isso. Sabe o que sinto? Que estou nadando contra a maré. Que estou me afogando -- temporariamente -- entre tantos que convivem com seus sonhos arregaçados, seus desejos frustrados e sua personalidade sucumbida. Meu Deus! Não quero ser uma dessas pessoas que vivem a sua vida no piloto automático. Não posso!

Mas estou vivendo. E nesses dias, sinto apenas que sou um robô que olha displicente para as pessoas que se empanturram em conversas fúteis, em fofocas alheias, em maldade gratuita, em ignorância desmedida, em egoísmo egocêntrico.

Mas, estou vivendo... se ninguém me fez uma mandinga, tô com o corpo pesado. E isto não é uma crônica, isto é um desabafo. Conversei agora com minha filha Poliana que sempre me ajuda a me encontrar meu eixo. Sinto uma vontade de estar num casebre no meio do sítio, ouvindo pássaros, sapos e grilos. Estou exaurida.

E aqui toca o telefone. Ainda bem que é sexta... mas a vida continua. Mesmo no nosso desengano de achar que um fim de semana cura o câncer de uma vida rotineira e sem sentido, eu acredito que semana que vem estarei melhor. Eu perco todas as lutas contra egoístas e ignorantes, todas, mas a minha luta comigo mesma -- e por mim mesma -- eu nunca vou perder.

6 comentários:

Jana disse...

Obrigada pelo privilégio desse texto maravilhoso, me fez acordar em diversos aspectos... 8/

aline naomi disse...

Talvez daqui a pouco seja hora de mudar, Cris!
Quando começo a sentir tudo que você descreveu nesse post, sei que preciso "me agilizar"... me acomodar, acho que nunca me acomodo, mas preciso prestar atenção para não me desgastar demais e nem perder tempo em coisas desnecessárias/que já não fazem mais sentido para mim.
O novo me estimula sempre. Me jogo e as coisas acontecem.

Beeijo! E que você encontre o seu caminho do meio.

aline naomi disse...

Sobre a frase da Isabella Taviani: o Che já disse algo parecido! Rá!

Crisão disse...

Em breve a mudança ocorrerá. The wind started to blow.

raquel disse...

Há quanto tempo você não tira férias, Cris?
Eu, pelo menos, sempre tenho faniquitos homéricos quando estou a poucos meses das férias, mas depois tudo se ajeita. Será que a questão pode ser mais simples do que parece?
Beijo!

Crisão disse...

Por um instante, pode ser...

Mas eu quero férias permanentes, sentir saudade de rotina de trabalho. Coisa que ó...