Calor, Kafka e uma moça

Voltando às postagens mais leves... vou relatar algo engraçado que vi ontem.

No caminho para casa, peguei meu primeiro busão. Para quem não sabe, anda um calor da porra em qualquer lugar e não tem sido diferente em SP. Cinco da tarde, sem vento e muito calor dentro do buso.

Entrei, me ajeitei e seguimos. Dali a 5 minutos, a viagem de 15 minutos dura mais de meia hora. O calor aumentando, todo mundo suando... e eu comecei a olhar uma moça que estava sentada à minha frente (eu estava em pé). Dormindo, tombando cabeça, ouvindo música do celular. Bonitas unhas pintadas de branco, cabelos lisos que se mexiam enquanto ela pescava.

De repente, um bichinho corre na parede do ônibus, onde ela estava encostada. Uma barata, daquelas pequeninas, de cozinha de apartamento sujo. A bichinha tava com as anteninhas procurando algo -- como costumam fazer as baratinhas (ou qualquer inseto). Aquilo começou a me desesperar. Eu não tenho medo de baratas, mas a bichinha tava vívida. E começou a subir na bolsa da moça. Ladeando a sua mão que segurava o celular. A moça? Nada, estava pescando vários peixes, enquanto a baratinha andava sobre sua bolsa.

Eu comecei a imaginar que aquela minibaratinha poderia ser um homem qualquer que apenas queria contato mais íntimo com uma mulher. Safado, ele seria. Porque ela estava dormindo. E ele estaria se aproveitando dela.

Mas a minibaratinha-quase-homem entrou por debaixo da bolsa, para meu alívio, acho que se ela decidisse subir pelos braços da moça eu iria presenciar um surto e talvez não aguentasse e risse na cara dela. O que é feio.

O buso enquanto isso caminhava a passos lentíssimos. Eu pensei em descer e ir andando, mas o calor me desanimou.

De repente, a moça na minha frente começa a se mexer, coçando as costas. Ela se levantou muito e eu vi que usava uma blusa amarrada atrás, deixando metade das costas descobertas. Adivinhe quem vi lá, safada de novo?? A baratinha.

Desta vez eu fiquei com nojo. Com a agitação, o baratinha-homem se assustou e saiu correndo pelo braço dela!!! Pensei: agora a moça surta. Mas ela tava tão sonolenta, que se coçou, voltou à posição inicial e continuou dormindo. Se ela dormisse de boca aberta, corria o risco de ganhar um beijo de língua da baratinha-homem carente.

Mas, eu não fiquei pra ver. Calor, baratas... fica pra quente gosta de suar e ficar grudando. Fui pro fundo do buso, quando a carroça se agitou e desci logo em seguida. Imaginando para onde teria ido aquela baratinha safada...

3 comentários:

Flor de Azeviche disse...

Caraaaaa, essas baratinhas já apareceram perto de mim no bus... Eu estava lendo e quando vi (ela naõ estava sobre mim) dei um salto e expulsei ela de lá rsrs.
Não tenho medo de baratas, de nenhum tipo, mas tenho muito, muito nojo rs...

Um beijo, Cris.

aline naomi disse...

Adorei essa crônica (?), Cris!!

Esses dias no trabalho, um colega: "Posso te perguntar uma coisa?", eu: "Pode" e ele: "Olha, o que é isso?" e apontou para uma barata grande na parede da editora. E eu: "Uma barata", ele: "E você não tem medo?", eu: "Não...". Os meninos estavam ali pra sacaneas as meninas que estavam chegando, tsc, tsc =P Massss eu não tenho medo! Não de baratas.

Mari M disse...

kkkkkkkkkk
adoro suas historias!! hehe
parece que to la junto com vc vendo tudo...
muito orgulho de vc prima!!
beijo no coracao