horas desesperadas

Deixo as horas desesperadas
escorrerem entre meus dedos com calos
através de minha alma
ecoam os gritos silenciosos
das personas que vivem em mim
tudo bem… é apenas um outro segundo
nada que não tenhamos visto antes.

Deixo meus amigos invisíveis
fazerem marionete do meu corpo dolorido
já não me importo se as dores
confundiram-se com o que bebi ou comi
através de minha pele
exala o cheiro putrefato
de sonhos que morreram em mim
sem que eu tivesse percebido
tudo bem… como dizem
eu vou sobreviver.

Deixo a ansiedade, esta característica minha,
sorrir em meu lugar
mostrar a beleza que eu sei que existe
eu cumpro as obrigações
e eu estou ao seu lado, cúmplice,
eu sou o que você quer que eu seja
e deixei de ser
parte das energias cósmicas
uma estrela cândida e ingênua
tudo bem… não é sempre assim?

Deixo as horas desesperadas
invadirem os meus sentidos
tornarem-se meu guia
para este combustível de ansiedade
para responder às minhas perguntas
que nunca tinham sido respondidas
droga… eu apenas queria te conhecer
e saber que você seria minha
através dos tempos
ao longo de toda a existência… minha
unicamente minha.

E eu conto as horas desesperadas
que me perseguem em meus delírios esquizofrênicos
me estuprar, me deleitar, me destituir
eu quero cada segundo de cada hora
para simplesmente mostrar
que tudo está como deveria estar…
assim.

(21/04/2008)

3 comentários:

Joelma Silva disse...

Depois de um longo sinlêncio, faço a pergunta que não quer se calar. Quem nunca viveu horas desesperadas?
E eu mesma respondo:
Quem nunca fechou os olhos para enxergar o lado de dentro de si, o por trás da dor de cabeça.
Minha querida Cris, você é ótima, adoro o que escreve, porque além de mergulhar dentro de si, nos conduz a fazer o mesmo.
Obrigada

Cristina Kok disse...

Ah! Cara mia,horas desesperadas... Quem não as têm. A diferença está em como as vivenciamos e o que fazemos delas depois. Com gente como você o sabor pode até ser amargo mas a receita final brinda-nos com coisas como essa. Parabéns.

Crisão disse...

Obrigada, queridonas...