Os profissionais do livro - parte 1

Estou com umas ideias germinando há tempos. Mas nunca achei que o momento de transformar ideias em palavras. Um misto de modéstia com insegurança, talvez. Não mais.

Espero estar equivocada, mas sinto uma imensa lacuna nessa coisa toda de produção editorial de livros. Vejo partes deslocadas falando por si próprias. Alguns tentam dar liga. Outros tentam defender o próprio peixe. Tem alguém certo ou errado? Sim e não! Fato é que há muita opinião circulando por aí. Muitas coisas interessantes e muitos equívocos, também.

Como fiz nos posts sobre currículos (veja o 1 e o 2), tentarei destrinchar em duas partes a minha opinião sobre o assunto. Meu único objetivo é tentar esclarecer essas lacunas e compartilhar minha opinião. Não tenho a palavra final, não tenho a fórmula do milagre -- diga-se de passagem.

Inicialmente, queria compartilhar links de três pessoas em específico. Acredito que esses profissionais -- cada um em sua área de atuação e com suas experiências pessoais -- trazem questões importantes que gostaria de comentar.

A primeira é a Aline Naomi. Seu blogue Breves Fragmentos tem uma label interessante: "Histórias que os tradutores contam" que vale a leitura.

O William Campos Cruz também fala bastante sobre revisão e tradução no seu blogue Esboços, Rascunhos e Ensaios: Sobre o ofício do tradutor, Do outro lado do balcão, Antes de meter o bedelho e As virtudes do profissional do texto.

Por fim, Carolina Caires Coelho escreveu no blogue Ponte de Letras outro texto interessante que merece ser lido: Copi malquisto.

Sugiro que o leitor interessado em ler o que escreverei em seguida, vá antes a cada um desses links e leia o seu conteúdo atentamente. Não se trata de fazer um trabalho de mestrado, mas de leituras que abrirão possibilidades, compreensão e diversos pontos de vista.

Isso posto, vou me apresentar! Para quem tiver curiosidade e/ou quiser me adicionar no LinkedIn, clica aqui.

Meu nome é Cristiane Maruyama. Trabalho em editoras desde outubro de 2001. Comecei como estagiária na Editora Manole onde trabalhei por 7 anos. Bati muita emenda, fiz muito índice remissivo e fiz muito checklist por lá!

Fiz graduação na Universidade de São Paulo em Letras com habilitação em Português. Quase enveredei pelas sendas da Teoria Literária mas desisti da vida acadêmica. 

Nunca fiz nenhum curso de apoio. Todo o meu aprendizado foi empírico. A base toda de minha formação como profissional do livro foi no meu primeiro emprego. Lá fui estagiária e com o passar dos anos cheguei a ser Subgerente Editorial. Trabalhei em todos os departamentos: jurídico, saúde, traduções. No meu último ano, ajudei a estruturar o selo Amarilys, ainda em formação naquela época.

Depois trabalhei na Editora Contexto por um ano e meio. Fui freelancer home office por um ano e trabalhei mais um ano e meio na É Realizações. Atualmente, sou Editora de Ficção, Não Ficção e Gastronomia na Companhia Editora Nacional.

Como profissional do livro, minhas áreas de atuação são: gerenciamento de equipes, fluxo de produção, coordenação de cronogramas na questão prazo versus qualidade, trabalhar com recursos humanos (aplicação de testes e contratação de pessoas), avaliação crítica da qualidade textual de traduções e revisões de tradução.

Ou seja, como esse minicurrículo diz, gosto de colocar a mão na massa. Gosto de entregar para a gráfica um livro com qualidade. Quando estou trabalhando num projeto, este é sempre o meu objetivo maior.

Pois bem.

Agora uma questão crucial que gostaria de levantar: quem aqui já fez o curso de Produção Editorial -- passo a passo da Laura Bacellar? É um curso interessante e voltado a aquelas pessoas que desejam conhecer como um livro sai do formato word para um impresso em gráfica. Acredito que é importantíssimo para todos os profissionais envolvidos compreenderem esse funcionamento.

Eu tive a oportunidade de acompanhar a Laura Bacellar por um curto tempo na É Realizações. Naquela época percebi que, mesmo não tendo feito o curso, sempre agi de forma correta (como produtora editorial), de acordo com o que era ensinado em seu curso. Tive acesso a duas apostilas (do mesmo curso, mas diferentes em seu conteúdo) e agreguei informações preciosas.

Ou seja, primeira observação: não importa que tipo de profissional você seja dentro de uma editora (ou fora dela) -- faça esse curso, leia a apostila. Quando você tem acesso ao todo, é mais fácil compreender as particularidades.

Quando você conhece o todo, você pode se aprofundar, você pode sair e olhar por cima. Você consegue se colocar no lugar de cada profissional em cada etapa da produção. Empatia profissional, nesse caso, é crucial para determinar qual postura você assume diante dos mais variados problemas.

Em um modo bem (beeeeeem) simplificado colocarei a sequência básica de como um livro sai da ideia para se tornar realidade (o exemplo aqui, no caso, é de uma tradução):
1) uma editora tem um projeto editorial e verba para colocar esse projeto em prática
2) escolha de um original que se encaixe no perfil de publicação
3) compra dos direitos de publicação
4) tradução do livro
5) revisão da tradução do livro
6) diagramação do livro
7) revisão 1 da prova diagramada do livro
8) revisão 2 da prova diagramada do livro
9) finalização de capas, miolo etc
10) conferência de plotter
11) livro impresso e pronto

Não considerei diversas etapas importantes. Queria apenas focar nas citadas, porque envolvem os componentes que gostaria de analisar: EDITORA > EDITOR > TRADUTOR > PREPARADOR > REVISOR. 

Se vocês leram -- e espero que tenham lido!!! -- os links acima, já vão entender o porquê de eu ter escolhido apenas essas etapas, porque envolvem determinados profissionais e porque envolvem questões as quais eu reflito há muito tempo.

Essas minhas opiniões já são conhecidas por amigos próximos. Agora é o momento de compartilhar publicamente. Quem sabe não vira um curso num futuro próximo?

Bom, então no próximo post eu escreverei detalhando mais as questões abordadas nos links citados. Até breve!

2 comentários:

aline naomi disse...

Oba! Adoro quando você fala de livros, processo de produção de livros, profissionais envolvidos! Vou acompanhar.
E obrigada por me citar... apesar de achar que ainda não tenho tannnto a agregar. ;)

aline naomi disse...

Ah, uma coisa que eu senti depois que vim trabalhar na Disal: é bom passar por uma editora pequena antes de ir para uma média ou grande (ou chegar à conclusão de que isso não vale a pena, dependendo dos objetivos da pessoa) para entender todo o processo na prática. Nunca trabalhei em editoras grandes, mas imagino que nesses lugares seja difícil, em pouco tempo, entender o todo. Muita gente talvez fique na mesma função por anos, e muitas talvez nem cheguem a entender o todo depois de tanto tempo. Os profissionais são responsáveis apenas por determinada(s) área(s), a não ser quando já entra como gerente ou coordenador de todos os processos (aí é obrigado a entender pelo menos um pouco de tudo).
E o legal também é que depois de um tempo e algumas experiências, já conseguimos perceber que tipo de trabalho gostamos mais e talvez traçar alguns objetivos dentro da área.