A mulher do trem

Ultimamente... vou te contar. Só quero silêncio e companhias específicas. Não sei exatamente que fase é esta, mas sei que se trata de uma fase reclusa. Me cansam o barulho, a baderna, o fútil e o inútil. Não, ao contrário do que você imagina, não me acho melhor que ninguém, nunca me achei. E não é agora que estou me achando!

Dificilmente encontro uma beleza não vulgar pelos lugares que passo. A beleza (que sempre foi plastificada) ultimamente tem tomado ares de vulgaridade obscena. Então todo mundo é igual, se veste igual e -- pior -- tem postura igual. Por isso, me assustei quando vi essa mulher no trem, hoje, a caminho do trampo.

Ela tinha grandes olhos... e eu acho tão lindo mulher com olhos grandes! Olhos lânguidos... olhos dissimulados! Poderia ser apenas que ela estivesse com sono, e talvez estivesse mesmo! Não deixei de perceber o rímel e o delineador em contornos perfeitos, realçando ainda mais os olhos e o olhar. Passei a viagem inteira tentando olhar esses olhos sem parecer que estava olhando para eles!

E ela tinha um batom cor de sangue (sem brilho) nos lábios combinando com as unhas perfeitas, esmalte da mesma cor. No dedo indicador da mão direita, um anel meio dourado meio cobre com a cara do Darth Vader! Ela era uma mulher simples, com cabelo longuíssimo que cobria as costas inteiras... mas esse anel do Darth Vader era algo definitivamente atípico!

Difícil ver mulheres "bonitas" (ponho entre aspas porque conceito de beleza é pessoal para cada um, certo?!) no trem. Mas essa mulher de hoje, com olhos dissimulados, e falsa pretensão, foi um prazer único. Tomara que eu tenha a sorte de reencontrá-la uma outra vez.

2 comentários:

flor disse...

Me pareceu aquelas típicas paixões de metrô. Acontece comigo, as vezes, e eu quero o mesmo que você, poder encontrar a pessoa de novo rs.

Crisão disse...

Ah!!!... suspiro... rsrs