Superbloom — último filme de Alexandra Swarens (minha review)
Levei mais tempo do que pretendi para começar e terminar de ver o filme mais recente da atriz, roteirista e cineasta lésbica Alexandra Swarens. Ela possui muitos trabalhos no mainstream lésbico, lançando filmes diretamente para o YouTube ou pelo streaming norte-americano HallMark. Não é difícil achar esses filmes gratuitamente no YT ou em sites voltados para o público LGBTQIAPN+, mais em especial pelo YouTube.
Alexandra é extremamente talentosa, mesmo com alguns trabalhos mais ruinzinhos. Quando ela escreveu e dirigiu The Holiday Club, eu fiquei bem decepcionada. Faltou muito trabalho pós-produção, muitos buracos, cortes abruptos — o filme parecia que foi feito às pressas. Deixei minha review breve desse filme neste post aqui.
No final do ano passado, não tivemos filme natalino de Alexandra (ela fez outros trabalhos que preciso ver!!!), mas eis a surpresa ao receber a recomendação do próprio YT com Superbloom. Veja o filme aqui.
Então... comecei a saga de começar a ver, parar, voltar semanas depois. Parar. E terminei, finalmente, hoje, sem detrimento de apreciar devidamente esse quase road movie. Sim! Um road movie! Um dos meus gêneros favoritos de filme. Já escrevi sobre um pouquinho sobre o tema neste blogue, mas preciso aprofundar em algum momento.
(A partir daqui, talvez role alguns spoilers, embora Superbloom não seja um filme que tenha uma reviravolta em algum momento que nenhum spoiler por trailer não tenha sido oferecido. Mas fica a deixa e o aviso.)
A história de Superbloom gira em torno de um retorno às origens quando o pai da personagem de Alexandra, Julia, morre. Ela era muito ligada ao pai, fica devastada, mas está reticente se deve voltar a uma cidade perdida no interior desértico do país. Eis que ela conhece uma moça, Lena, em uma balada, da maneira mais inusitada possível.
A personalidade extrovertida, leve e ligeiramente ingênua de Lena faz com que Julia se sinta à vontade e motivada para fazer a viagem, a carro, até a casa do pai e também pegar as suas cinzas. Mas não apenas isso, Lena também queria ver a floração em um local específico e famoso, indicado pela sua falecida avó, para jogar as cinzas dela. O local não está florido, as cinzas são jogadas. Mas a essa altura, as duas protagonistas dividem a tela com similaridades, contrapontos não tão distantes assim, construindo uma amizade onde muitos silêncios são respeitados, muitos pedidos não verbalizados são ouvidos e uma delicadeza e empatia extraordinária é construída.
O filme fala disso: da beleza do cotidiano com coisas simples. E que os encontros mais especiais acontecem nas circunstâncias mais atípicas com quem menos esperamos ter algo.
Em tempos que a necessidade de existir fogos de artíficio com setas neon incandescentes mostrando que alguém é legal, deixamos de nos permitir conhecer o outro nas pequenas surpresas e, mesmo com diferenças, permitir a entrada do outro e nos permitir desabrochar... como o próprio nome do filme sugere.
A fotografia do filme é espetacular e captura essa essência de forma soberba. Enquadramentos, luzes e sombras, o contraste entre plano aberto e close-ups em momentos específicos, a escolha de cores... uma linguagem simbólica que dialoga belissimamente com o filme.
O roteiro e a direção são da Alexandra, o que me mostrou o quanto ela evolui a cada trabalho. O seu olhar sempre captura as nuances sutis e delicadas dos encontros e relacionamentos — algo que eu também adoro! — tudo isso para o público sáfico e também para o público geral mostrando o que sempre foi óbvio mas que algumas pessoas ainda não perceberam: quando se trata de relacionamentos humanos pouco importa o gênero e a orientação sexual.
Obrigada, Alexandra, por este filme. Aguardando ansiosa pelo seu próximo trabalho!






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