UNINVITED — exorcizando minha vida com Brandi Carlile e Alanis Morissette
O hype deste momento é a participação especial de Alanis Morissette num show de Brandi Carlile para cantar duas músicas no Red Rocks Park, Uninvited e Hand in my pocket. Uninvited e Brandi Carlile tem uma longa história, já, mas que voltou à evidência em uma apresentação, no final de julho, em Newport Folk Festival, de Brandi cantando uma versão de Uninvited visceral, gutural, emotiva e de lavar a alma. A própria Alanis ficou sabendo, inclusive. Comentou no post. E acho que daí surrgiu a ideia dessa participação especial alguns meses depois.
Volta para 2026, até na época do meu aniversário de 49 anos, eu sequer lembrava de Alanis ou de Uninvited. Mas o algoritmo do IG resolveu me entregar um vídeo da apresentação de Brandi Carlile. Me assustou a similaridade da voz, com uma interpretação de alta intensidade emocional. As Sista Strings entregando uma releitura com violino e violoncello, aumentando o tom ainda mais dramático ao vivo. A música começa no piano e termina com riffs de guitarra, violino e muita, muita intensidade.
Até então eu tinha esquecido completamente dessa música. Volta para 1998, Alanis ainda não tinha lançado Suppposed Former Infatuation Junkie (meu álbum favorto dela). Antes disso, lançou uma música que fez parte da trilha sonora do filme Cidade dos Anjos: uma música chamada Uninvited. Escrita em 10 minutos com ela ao piano, inspiradíssima, após ver um pedaço do filme.
Volta para 2026, até na época do meu aniversário de 49 anos, eu sequer lembrava de Alanis ou de Uninvited. Mas o algoritmo do IG resolveu me entregar um vídeo da apresentação de Brandi Carlile. Me assustou a similaridade da voz, com uma interpretação de alta intensidade emocional. As Sista Strings entregando uma releitura com violino e violoncello, aumentando o tom ainda mais dramático ao vivo. A música começa no piano e termina com riffs de guitarra, violino e muita, muita intensidade.
Eu não sabia, mas aquilo tinha mexido em algo dentro de mim. Eu apenas não consegui elaborar naquele momento.
Os dias e semanas se passam, eu eventualmente reouvindo Uninvited. Corta para o dia 13/09, domingo, aniversário de Tamires, eu a caminho esperando o trem chegar, quando vejo o vídeo que algumas fãs fizeram do show de Brandi na noite anterior, que contou com a participação surpresa de Alanis logo que os acordes de Uninvited começam a tocar.
Assisti ao vídeo todo sorrindo.
A energia das duas me contagiou.
Fiz o trajeto todo até a festinha ouvindo essa música. Criei uma playlist temática apenas com as várias versões de Uninvited disponíveis no Spotify.
Durante a festa, que graças aos deuses, tinha um aparelho de karaokê, eu sabia que teria de cantar Uninvited. Essa música se tornou minha trilha sonora de descarrego, exorcismo e tudo o mais que você imaginar. Música aqui, música ali... chegou a oportunidade. E o que eu jamais esperei foi me ver fazendo a minha versão de headbanger da Alanis. Eu pulando enquanto cantava sem perder o fòlego ou a afinação (bem, assim soou na minha cabeça, eu gosto de soar afinada kkk). Eu usando toda a minha capacidade vocal para entregar mais sentimento que qualquer outra coisa.
Havia algo em mim que precisava sair.
Havia algo em mim que precisava transbordar.
MInha voz tinha se calado, porque deixei que me calassem.
E naquela hora eu estava ali cantando meus pulmões, esticando minhas cordas vocais ao máximo, deixando correr uma energia que estava represada em mim. Eunem precisava de microfone de tanta projeção que minha voz alcançou. (detalhe, não sou cantora, não sei técnicas vocais mais do que mostram num IG da vida, cantei e cantei e minha voz praticamente permaneceu imaculada, não fiquei rouca ou com dor de garganta depois, para vocês terem uma ideia!).
Eu era uma tormenta em ação. Uma tempestade. Ventos e trovoadas. Minha voz alta e forte. Minha energia correndo dentro de mim da cabeça aos pés.
Não me recordo de sentir algo assim antes. De verdade.
Eu não sabia, mas tinha acabado de testemunhar um extravasamento extremo de mim mesma.
Quando cheguei em casa, depois do banho e do silêncio, eu comecei a chorar.
Porque, finalmente, tinha entendido o que tinha acontecido.
Na festa, tive a oportunidade de conhecer e conversar com pessoas que nunca vi antes. Tive a oportunidade de liberar minhas energias de Gêmeos e Leão que estavam guardadas, intimidadas por todas as frustrações que vivi nos últimos meses tentando conhecer pessoas novas, tentando marcar encontros para um café, tentando pura e simplesmente apenas olhar alguém nos olhos, observar reações, ser vista, ter alguém me ouvindo enquanto me olha, com o foco em mim. Minha Lua em Leão e minha Vênus em Gêmeos não estavam magoadas, mas seria algo próximo a isso. Foram muitas,mas muitas frustrações. Muitos quase. Muitas expectativas que, sim, me machucaram. Eu tinha entregado uma parte que, como disse num post anterior, parecia não existir mais.
Como alguém pode adormecer algo vital dentro de si? Isso não existe. Quer dizer, pode existir... mas a um alto custo.
E eu não sou uma pessoa tímida. Eu queria poder colocar meu aspecto social novamente em ação. E veja, foi em um evento inesperado, para o qual tinha criado zero expectativas, que pude viver um desopila a vida. Desopilei o que estava represado em mim.
Cantar Uninvited, então, significou isso:
"Como uma terra não mapeada e desconhecida, pareço ser extremamente intrigante. Você fala do meu amor como se já tivesse vivenciado um amor como o meu antes. Mas não, eu não permito isso, você não foi convidada a fazer isso."
E, não, não estou falando de amor romântico, longe disso. A canção permite muitas interpretações e a minha jaz, única e exclusivamente, no aspecto da tentativa de construir um laço social leve que possa evoluir para uma amizade. Eu vivi frustrações demais nesse aspecto desde o começo deste ano. Antes de eu chegar a isto, eu ainda acreditei que as pessoas poderiam ter um encontro leve, de troca leve, tal qual pede Gêmeos. Eu poder ser vista, reconhecida, ouvida, terem gentileza e empatia por mim, tal qual pede Leão. Mas a sucessão extremamente dolorosa de experiências frustradas... como esquecer?
Na verdade, não se esquece, nunca se esquece. Fazemos alquimia. Transformação.
Mas me faltava alguns elementos: e eu os tive no dia 13/09/2026.
Eu fui espontânea. Eu me senti livre. Eu falei. Eu fui ouvida. Me olharam nos olhos. Prestaram atenção ao que disse. Não me julgaram precipitadamente. Não me deixaram no vácuo sem resposta. Nao fizeram promessas sem cumprir.
Apenas presença.
Eu tinha esquecido como era fazer uma troca social com esses fatores todos. Fatores simples e até insignificantes para a maioria das pessoas que tem uma vida social agitada. Não eu. Não eu que venho de um longo processo de retirar pessoas da minha vida.
Por fim, a pergunta mais direta que cheguei a me fazer foi: o que eu espero disso tudo?
A grande realidade se mostrou bem melhor até do que imaginava.
Gostaria de continuidade? Claro que sim.
Irei atrás dela? Observarei.
Essas pessoas têm potencial para um provável aprofundamento de contato? Provável que não.
E nada disso me incomodou. Não criei fantasias e expectativas fantasiosas. E achei isso tudo uma imensa vitória.
Então, provavelmente, seguirei curtindo pelos próximos dias a energia poderosa que Uninvited evocou em mim.
Obrigada por ter escrito essa música, Alanis.
Obrigada por ter feito essa releitura interpretativa absurda, Brandi.
Vídeo de Brandi Carlile cantando Uninvited em 29 de julho de 2026.
Vídeo de Alanis Morissette fazendo participação surpresa e especial em Uninvited em 12 de setembro de 2026.
PS: o algoritmo do IG me entregou MAIS UMA SURPRESA: vários posts de várias gringas basicamente dizendo o mesmo que eu: que Uninvited trouxe algo poderoso de volta, como se reacendesse uma chama quase extinta. Foram vários. Eu fiquei muito impressionada, porque eu não fiz uma postagem, então creio que deva ter muita gente no mesmo que eu e as pessoas que fizeram os posts. Vários comentários que li também reafirmavam isso. E eu achei muito interessante essa "coincidência". E, por isso, agradeço a Brandi e Alanis, mais uma vez.



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